sexta-feira, 24 de março de 2017

O segredo que nenhum homem se atreve a revelar

Um dos maiores mistérios da humanidade com certeza é como conquistar as mulheres. Boa parte dos homens consegue, mas como consegue, não se sabe. Talvez o medo de favorecer a concorrência ou a perda das mulheres que conquistaram para os outros, leva a muitos homens a não revelarem o verdadeiro segredo da conquista feminina, um segredo guardado a mil chaves, cadeados e pesadas portas de chumbo.

E não adianta nem ameaçar algum homem de morte para obter o tal segredo, pois ao invés de revelar o segredo, o cara vai mesmo é chamar a polícia e mandar te prender para , possivelmente, você virar "mulher" de bandido.

Claro que, cumprindo o mito machista de que todo homem é amigo (mito em que não consigo acreditar), os bem sucedidos não vão recusar a ajuda de homens tímidos e "incapazes", que não tiveram a sorte ou os requisitos mínimos para satisfazer as cada vez mais exigentes donzelas que encontramos por aí.

Para ao mesmo tempo parecer simpáticos aos outros homens e eliminar os "incapazes" da concorrência, os homens bem sucedidos afetivamente se limitam a dar conselhos vagos, na prática reiterando o que já se sabe pelas rígidas regras sociais. Coisas apenas para dizer para todo mundo que "ajudaram" os outros. Típico de um autêntico amigo da onça.

Mas esses conselhos na prática soam bastante inúteis, já que além de não oferecer detalhes e esclarecer dúvidas (na verdade até aumentam ainda mais), nada favorecem os homens que tem dificuldade de conquista a flechar os corações de suas desejadas. E tudo fica na mesma.

Mas não dava para ser menos cruéis e mais detalhistas na hora de dar os conselhos? Ou que o sistema coloque as mulheres para ensinar os homens a conquistá-las. As mulheres é que deveriam ser as professoras de conquista, já que elas é que sabem como querem ser conquistadas. 

Os conselhos dados por um homem, mais preocupado em eliminar a concorrência e se dar bem as custas do fracasso alheio, serão apenas um tiro na culatra a piorar as coisas ou na melhor das hipóteses, deixar tudo como sempre esteve.

quarta-feira, 8 de março de 2017

As feministas precisam provar que não cometem misandria

Eu não sou machista. Como altruísta que sou, tenho que respeitar todos os seres humanos e defender seus interesses quando não prejudicam o dos outros. As mulheres são, acima de tudo seres humanos e merecem todo o respeito às suas condições dignas de vida.

Mas não vejo com bons olhos o Movimento Feminista. Apoio o feminismo em si, mas o feminismo que incentiva as mulheres a lutarem pela dignidade e por seus direitos. Mas noto um quê de misandria enrustida, não no Feminismo em si, mas no Movimento Feminista posto em prática por muitas mulheres nos últimos anos.

Muitas mulheres entenderam que antes de lutar pelos seus direitos, é preciso chutar os homens, tirá-los do caminho. O curioso que os homens que se dão mal com a misandria não são os machistas, o que seria até justo. Justamente os não-machistas é que se ferram neste cabo de guerra entre feministas misândricas e machistas misóginos. Os homens não-machistas viraram um saco de pancadas tanto para feministas (porque são machos) quanto para os machistas (não são machos o suficiente).

Dizem as feministas que o movimento pretende ser igualitário, quase um sinônimo de "humanitarismo". Mas não é bem o que se vê na prática, pois os homens são tratados frequentemente como vilões e os defeitos tradicionalmente cometidos por homens com falha de caráter são confundidos como se fizessem parte da masculinidade.

Um site feminista que gosto muito, está pecando por confundir machismo com masculinismo. O machismo é a suposta superioridade do homem sobre as mulheres e deve ser reprovado sem qualquer tipo de contestação. 

O masculinismo é uma resposta à misandria, uma contestação dos abusos cometidos pelas mulheres contra os homens, incluindo a recusa do estereótipo masculino do "protetor/provedor" ainda muito forte na sociedade atual e critério básico usado pelas mulheres na escolha de um namorado ou marido. O masculinismo nada tem a ver com machismo e os masculinistas também pregam a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

O que as feministas devem saber é que os homens não-machistas também são vítimas do machismo. Somos ridicularizados por não sermos "machões" como os outros homens e é comum perdermos direitos por isso. O próprio fato de não sermos machistas já serve como motivo para sermos discriminados diante dos outros homens.

Se as mulheres acham que o seu feminismo é humanitário, deveriam defender também os homens que não são machistas. Para de exigir que cumpramos as funções de protetor/provedor, pois muitos de nos não são tão ricos nem tão fortes/altos para cumprir de forma plena esta função.

Compreendo e apoio a luta das mulheres por seus direitos. Mas devemos focar mais na humanidade com um todo, sem abrir espaço a misandria. Maltratar as mulheres não faz parte da masculinidade. Somente canalhas maltratam as mulheres. E cá para nós, canalhas não são suficientemente machos para ser vistos como homens...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Porque pessoas diferentes são consideradas "loucas"?

Dizem os biólogos que seguir a maioria é uma estratégia de sobrevivência. Além do fato de que a união faz a força, há benefícios que dependem de decisões alheias (como namoro e emprego) e a adequação a regras impostas pela sociedade favorecem a aquisição destes benefícios. 

Por isso que muita gente faz coisas de validade duvidosa quando elas são praticadas pela maioria. O importante não é fazer estas coisas, mas favorecer um bom contato com os outros, para aquisição de direitos e garantia da sobrevivência humana.

Mas a racionalidade humana faz com que certos indivíduos se recusem a fazer certas coisas, por discordar delas. Frequentemente, estas pessoas são rotuladas de loucas, provocado o afastamento de outras pessoas que enxergam a recusa de obediência a padrões como uma ameaça. Porque isto ocorre? Temos uma explicação para isso.

A primeira coisa a ser lembrada é o conceito de "tá no sangue" para algo que é praticado ou seguido pela maioria das pessoas. O fato de algo ter uma adesão maciça de pessoas dá uma ilusão de algo biológico, instintivo, pré-programado no cérebro das pessoas. Fica a impressão que uma atitude extremamente popular faz parte da essência humana e sinaliza que "o cérebro está funcionando direito". A adequação a padrões ainda é estigmatizada como normalidade cerebral.

Como a adequação a padrões é considerado como sinal de normalidade, pessoas que se recusam a aderir a padrões de ideias, gostos e atitudes automaticamente despertam suspeitas de loucura, dificultando a interação social, criando um círculo vicioso que pode prejudicar quem não está socialmente inserido.

Talvez seja até este medo em ser confundido como "louco" que faz com que muita gente faça coisas que não goste de fazer, mas que são altamente populares, para agradar aos outros e se sentir incluído socialmente.

Mas é realmente por causa da ilusão de que seguir padrões é sinal de normalidade cerebral que pessoas diferenciadas são tidas como aberrações ou portadores de loucuras. Mas basta a humanidade se informar mais e descobrir que, pelo contrário, abir mão de padrões é sinal de maior racionalidade e de manifestação de individualidade, para que este preconceito desapareça e a diversidade de gostos, ideias e costumes seja respeitada.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

"Homens de bem" são bandidos e devem ser tratados como tais

Agressões nunca são o melhor caminho para resolver divergências. E quem agride não está a fim de conversar e não raramente isso serve de comprovação da ignorância do agressor, que geralmente não possui argumentos lógicos para justificar o pensamento que está sendo questionado pelo lado agredido. Mas de qualquer forma, agressores sempre são nocivos, e devem ser tratados como algo nocivo.

Nem vem com esta desculpa de que estão "defendendo a honra" ou o que quer que seja. Quem não sabe dialogar deve ficar calado e procurar se informar para criar uma justificativa racional que possa ser exposta em uma conversa madura e sadia. Agredir, mesmo sob a desculpa esfarrapada da "defesa" nunca é um caminho aceitável e atenta contra a dignidade humana. E pela lei, quem atenta contra a dignidade humana merece punição.

Não param casos de membros da pseudo-elite desejando mal e até mesmo a morte de esquerdistas e de pessoas que não correspondam ao perfil que lhes agrada (em geral o perfil branco-cristão-hétero-capitalista). Um novo tipo de crime de colarinho branco que nasce do preconceito e da ganância de nossas classes média e alta, muito mal educadas por pais negligentes e escolas direcionadas apenas a formar mentes para o mercado de trabalho.

Além de um neurocirurgião, um procurador e um deputado, vomitaram seu nojo pelas pessoas que não corresponderam as suas expectativas. O tal neuro-cirurgião chegou a sugerir a interrupção do procedimento para que "o capeta abraçasse Dona Marisa", desejando a morte dela. Mal sabe o neuro-cirurgião que gente como ele que o capeta gosta de abraçar.

Isso acontece porque os membros das pseudo-elites se sentem livres no governo de direita para poderem exalar seus preconceitos na tentativa de proteger de forma agressiva os privilégios que possuem, impedindo que os mais necessitados - tratados pela pseudo-elite como "sub-humanos" - possam ter acesso a eles.

Mas noto que o sistema está muito bonzinho com estes moralistas sem moral. Quem prejudica os outros intencionalmente, deve ser tratado como bandido e responder como bandido, sendo punido de acordo com os termos da lei. 

Essa noção de impunidade que a sociedade dá aos "Homens de Bem" é que permite que estas pessoas sem alma nem piedade ajam desta forma, provavelmente sonhando em um mundo onde somente eles existam, para que os bens fiquem apenas nas mãos destes. É a ganância convertida em sadismo, uma prova incontestável de que a humanidade está ainda em seu estado primitivo. 

Os exotéricos que pensavam que chegaríamos numa nova era erraram os cálculos. Ainda estamos nos tempos das barbáries e tão cedo não sairemos dela.

domingo, 29 de janeiro de 2017

A onda de ódio e a dificuldade nas relações humanas

Existe um ditado que diz que "o homem é o lobo do homem". Nunca isso fez tão sentido como agora. Graças a má qualidade de nossa educação, a pais irresponsáveis que fazem filho sem saber como criá-los e a submissão a mídia sobretudo a televisiva, causaram um estrago gigantesco na personalidade de mais de 85% dos brasileiros e o resultado dessa negligência educacional aparece nesta onda de ódio burro que vemos hoje em dia.

Curioso que estamos em pleno século XXI, em que os futuristas do passado, quase com unanimidade, previam ser uma era de muitos avanços sobretudo humanos. Estaríamos mais inteligentes e altruístas. Só que a onda de ódio não somente soterrou este mito de evolução como também mostrou que somos exatamente os mesmos do final do século XIX. Ou seja, os avanços do século XX não nos serviram para nada. Teremos que aprender tudo de novo.

E não pense que esta onda de ódio se limita a preconceitos direitistas contra a esquerda e contra classes oprimidas. A onda de ódio está até em alguns supostamente progressistas. Gente que bate no peito "eu amo a humanidade" desejando também a eliminação de outras pessoas, ao invés de estabelecer um diálogo. Até porque somente indivíduos inteligentes estão dispostos ao diálogo.

Feministas se tornaram misândricas e toleram os homens apenas quando eles lhes dão dinheiro e proteção. Tratam os homens como se fossem todos estupradores. Impõem regras de convívio, incluindo as paqueras, de uma forma que apenas os homens que justamente não correspondem ao nocivo perfil machista, paguem pelos erros (dos outros). Os machistas continuam impunes.

Sites de diversos tipos agem com truculência quando termos são violados, mesmo que por um simples mal entendido (como aconteceu comigo, que estou com IP bloqueado, sem saber como desbloquear). Algo que seria fácil de resolver com uma simples troca de emails (eles sabem minha conta), onde os motivos seriam expostos, equívocos explicados e surgiria uma oportunidade de negociação favorável para ambos os lados.

Mas o ser humano prefere resolver tudo na porrada, na punição alheia. Perdemos a capacidade de nos imaginar no lugar do outro, preferindo fazer com nossos adversários justamente o que não gostaríamos que fizessem conosco. Ficam naquela de "não vai acontecer comigo", como se os do "lado do bem" fossem perfeitos, sem imaginar que a punição desejada ao outro, pode se virar contra quem se acha perfeito e invencível.

Mas esta onda de ódio tem um lado bom, por incrível que pareça. Levará o ser humano a cometer barbáries tão nocivas que a opinião pública ficará incomodada de tantos atos perversos cometidos em suposta defesa da honra e voltará a ser vergonhoso o costume de desejar mal ao outro ou punir de forma precipitada sem ao menos entender o que está s passando.

De qualquer forma, retomamos os instintos animais, incluindo ao de nos defendermos de forma agressiva e precipitada. Será que teremos que voltar ao começo e aprendermos novamente o que significa sermos humanos?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Conceito de Bondade: altruísmo ou moralismo?

Nesta onda de neo-conservadorismo surgida da ganancioso desespero das elites pela crise capitalista, parece que se perdeu a noção de bondade. Ou pelo menos ela mudou para retornar a um conceito vigente em tempos mais antigos, quando nossas avós tinham pele lisinha.

Nos últimos tempos, havia-se tentado definir um conceito de bondade que tivesse a ver com o altruísmo, com o respeito ao próximo e o desejo de bem estar a maioria das pessoas. É este o conceito de bondade que eu defendo. Cresci acreditando que ser bom é permitir que outras pessoas vivam da melhor maneira, em paz e com as suas necessidades essenciais respeitadas.

Mas com o conservadorismo em voga, o conceito de bondade voltou ao sentido antigo, que tem muito menos a ver com altruísmo e mais com o moralismo, a defesa da chamada "moral e bons costumes", com base em critérios relacionados com religiosidade, disciplina militar e direito à propriedade. 

Não raramente este conceito conservador de "bondade" entra em choque com o altruísmo, pois para conservadores, quem não corresponde as expectativas dos conservadores é automaticamente transformado em vilão e com base nesta acusação, deve ser eliminado da sociedade, ou através de prisão ou pela morte. Algo que pode ser entendido ou como vingança ou mero sadismo.

A bondade conservadora, quando tenta ser altruísta, é sempre limitada a caridade paliativa, que é a que vemos sendo praticadas em instituições de caridade ou em campanhas em datas como o natal. São ajudar momentâneas que não tiram excluídos dos seus problemas, servindo mais de compensação ou consolo para a preservação de um problema que não e do interesse de conservadores combater.

Mas no geral, o conceito conservador de bondade nada tem a ver com altruísmo. Por isso que não é estranho ver pessoas se auto-rotulando "homens de bem" desejando mal ao próximo. Para eles só merece ser feliz quem corresponde a estereótipos esperados e obedece as regras subjetivas e nem sempre justas impostas pelo mais retrógrado moralismo. 

Parece que atender a estereótipos é muito mais importante do que garantir bem estar e convívio harmônico em toda a sociedade.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A retomada da barbárie

Estou completamente pasmo com o que vem acontecendo nos últimos anos. Pasmo e triste. Eu sou humanista. Cresci acreditando que a humanidade se evoluiria e chegaria no século XXI disposta a amar mais, se solidarizar mais. Utopia, pois acontece o oposto. 

Estamos nos desaprendendo a amar. O ódio brutal passou a ser justificado como "defesa" seja lá do que for. Pessoas com raiva babando e sadismo na flor da pele se auto-rotulam "de bem" desejando mal ao próximo, enxergado como "ameaça" só porque discorda do ponto de vista do odioso.

Esta onda de ódio cresce a ponto de pessoas de direita - sim, só a direita fornece o "embasamento teórico" para um pensamento tão odioso -  se transformarem em verdadeiros animai selvagens na forma humana. Hoje se deve muito bem medir palavras e omitir pontos polêmicos em conversas com outras pessoas, sob o risco de ser linchado ou até morto.

Os extremistas de direita viraram uma nova forma de bandidagem. Sim, são bandidos, longe do estereótipo, mas com a mesma intenção de prejuízo alheio que os marginais xingados nos telejornais mais policialescos. Não adianta se auto-rotularem "homens de bem" bradando falsas lições de moralidade se desejam que o outro se ferre. Extremistas de direita são bandidos e merecem ser vistos como tais.

Mas não reajamos com violência. Bandidos merecem pena. Odiosos merecem pena. Não baixemos ao nível rasteiro deles, perpetuando a luta garo-e-rato até não acabar mais. as leis devem ser severas com os extremistas de direita, que por enquanto agem tranquilos na impunidade, zombando da justiça, achando que esta é um a propriedade privada dos direitistas.

Enquanto a lei não tomar alguma atitude para coibir este extremismo de direita, tempos difíceis se instalam irresponsavelmente. Temos que tomar muito cuidado, pois as bestas feras, ignorantes e sedentas de ódio, além de prontas para o ataque mais danoso, podem estar do nosso lado, sorrindo, em um ambiente aparentemente acolhedor.

sábado, 24 de dezembro de 2016

A hipocrisia santa de todo Natal

A polarização política que surgiu nos últimos anos serviu como comprovação de que a sociedade está cada vez mais egoísta, arrivista e gananciosa, do contrário do que deveria ser. Estamos atrasados como seres humanos e não estamos somente ficando mais burros como também ficando mais insensíveis. Infelizmente, a humanidade fracassou e está perdida. 

Na verdade, o Natal sempre serviu mais como um falso atestado de bondade da sociedade capitalista. Através da caridade paliativa, aquela que consola mas não traz dignidade, muitas pessoas acreditam estar sendo bondosas, de forma interesseira, por acreditar que um gigante invisível que eles chamam de "Deus" irá os recompensar. 

A caridade praticada pelas grande maioria das pessoas ignora a real necessidade dos excluídos, para que serve a ação praticada, e desprezam mais ainda como esta caridade deve ser feita para tirar um excluído de seu problema, que certamente nunca é resolvido. Todo tipo de ajuda é limitada a doação de objetos e palavras incapazes de tirar os mais carentes de sua condição indigna.

O que me revolta é que este tipo de ajuda se tornou um padrão. É a única praticada e há quem acredite mudar o mundo com esta caridade paliativa. Dá-se uma sopinha e um cobertor velho para um morador de rua e está resolvido? Vejam, lá está ele de volta a rua numa calçada suja, sem abrigo e desprezado por uma multidão que vive a se afastar do pobre coitado.

Para piorar, há o lado ruim deste tipo de caridade. Não raramente os excluídos são tratados como depósitos de lixo, pois normalmente recebem como ajuda objetos que não tem serventia para quem doa. Sem esquecer de alguns casos onde a caridade é usada como moeda de troca chantagem, exibicionismo e até manipulação ideológica. Não são raras as ONGs e instituições de caridade que praticam lavagem cerebral em seus auxiliados. Infelizmente isto é real e frequente.

Bondade + ganancia = hipocrisia

No geral, vemos nesta época do ano pessoas se fingindo de bondosas quando as mesmas agem de forma bem egoísta e não raramente gananciosa no resto do ano. E no Brasil temeroso, onde decisões de um grupo de golpistas gananciosos devem eliminar direitos e agravar crises e desigualdades, a luta pelo pouco benefício deve aumentar ainda mais o nosso egoísmo. 

A convulsão social deve se converter em uma não-declarada guerra civil. Vamos ter que brigar pelo pouco que será oferecido. Multidões morrerão por causa de direitos cancelados. Ricos, alvos constantes dos ódios das classes oprimidas (ódio que infelizmente é recíproco) serão constantemente ameaçados por se recusarem a repartir seus excessivos supérfluos. O país como um todo retornando a sua condição de sub-desenvolvimento com sérios riscos de se tornar um Haiti mais pomposo.

É este cenário triste que está sendo preparado para todos nós. Os que apoiam estas decisões equivocadas que estão sendo tomadas pelos golpistas que tirem sua máscara de bondade pois estão contribuindo de alguma forma pelo mal estar de muitas pessoas. E não será uma sopinha aguada, um casaco rasgado e uma reles canção natalina que resolverão esta desgraça.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Eles não saírão para as ruas por você


Amanhã, 04 de dezembro de 2016, vários supostos movimentos sociais sairão as ruas para supostamente lutar por um Brasil melhor. Esta é a informação oficial segundo as grandes mídias que espalham as notícias por meios como rádios, jornais, revistas e principalmente televisão. 

Mas quem se informar melhor e saber quis movimentos estão organizando as passeatas do dia 04/12, irá se decepcionar. Será uma manifestação de movimentos direitistas, organizados por instituições que representam os interesses das classes dominantes do país. Há inclusive participação de grupos fascistas entre os organizadores. Nenhum dos movimentos realmente sociais, que representam a parte excluída do povo participará do evento de amanhã.

São movimentos formados pelos grupos que lideram a economia do país, pessoas ricas e os não-ricos que as apoiam. São pessoas interessadas em preservar privilégios e manter as estruturas do poder (de todos os tipos, exceto o político, que sejam ver alterado) para que a renda continue concentrada e o país continue submisso aos EUA.

Grupos que defendem valores retrógrados, incluindo o moralismo cristão-medieval, estarão nos protestos contra os avanços sociais. Muitos que ingenuamente torcem pela intervenção militar (eufemismo para "retorno da ditadura militar") estarão em massa nos protestos de amanhã. Todos em nome apenas de suas classes e grupos particulares e dos "heróis" que os defendem. 

A justificativa do desejo de um Brasil melhor é papo furado feito para atrair apoio popular. Os grupos que sairão amanhã não oferecem propostas a não ser as que prejudique os grupos que eles considerem seus opositores. Vamos ficar atentos e perceber que direitistas nunca foram humanistas e desconhecem os bastidores da política, pensando que a prisão de um grupo de corruptos vai acabar com a corrupção. 

Errado! Corrupção se combate alterando bruscamente as estruturas, sobretudo as econômicas e sociais, algo que passa bem longe dos anseios dos manifestantes de amanhã, desejosos pelo golpe que arrasa o país. Corrupção se combate com responsabilidade ética e abnegação e não com justiça arbitrária, agressividade e histeria moralista.

Se você ama o país e os seres humanos, não leve gato por lebre. Os protestos de 04/12/2016 não são legítimos. São integrantes de grupos conservadores interessados apenas em defender interesses particulares. Justificativas nobres são apenas isca para tentar aumentar a quantidade de manifestantes. 

Os que sairão amanhã não estão interessados em um Brasil melhor. Eles querem um Brasil para os mais ricos, que eles pensam ser os "vencedores pela guerra sadia pela sobrevivência". Quem não for rico que se vire para ser e com isso ter permissão para exigir dignidade e direitos essenciais. É este o Brasil que estará sendo reivindicado amanhã. Um Brasil para poucos.

Tempos difíceis estarão por vir para os brasileiros. Se tudo fracassar no Brasil, simples: os manifestantes de amanhã raspam suas gordas contas bancárias e se mandam para Miami ou algum resort distante. Eles tem meios para isso.

domingo, 20 de novembro de 2016

Lauren Jaregui surpreende com texto sensível e sensato sobre o mundo atual

ESPREMENDO A LARANJA: A música do grupo vocal Fifth Harmony soa fútil, ruim e serve mais como fundo musical para as coreografias sensuais do grupo, formado por belas jovens mulheres. Mas isso é compreensível, pois o som do grupo é direcionado ao público adolescente e as garotas precisam ganhar dinheiro para garantir o padrão de vida que possuem. 

Mas surpreende que um dos textos mais maduros que eu já li em minha vida tenha vindo de uma integrante de um grupo assim. Lauren Jaregui, (que empata com a Normani Kordei na posição de mais linda do grupo na minha opinião) decidiu aproveitar a oportunidade de assumir sua tao comentada bissexualidade para fazer um sincero desabafo, direcionado a América (todo o continente) que estará nas mãos de um homem retrógrado de ideias idem, Donald Trump.

Jaregui surpreendeu a todos pela impressionante maturidade e consciência crítica, provando que o fato de integrar um grupo musical sem pretensões culturais não significa que como ser humano deixe a desejar. Pelo contrário. Fiquei impressionando como uma mulher tão linda como Jaregui demonstrasse um interior ainda mais belo, unindo sensibilidade e inteligência para nos trazer, através de surpreendente sabedoria, uma grande lição de vida.

Estou feliz com Laren Jaregui e aprendi muito com o texto escrito. A maior lição de vida que eu aprendi é que, mesmo em um grupo musical sem importância cultural, feito apenas para se divertir, Lauren não se desviou da realidade, como seria de se esperar. 

Quietinha, sem ninguém perceber, ela observava o mundo ao redor, usando sua mente produtiva para tetar encontrar uma solução para tudo que está errado no mundo real. Solução que veio através de um sensível e longo texto que merece ser lido por qualquer pessoa, com bastante atenção. Um longo texto, mas conciso, direto, que não enrola, falando a todos apenas o que deve ser dito.

Parabéns, linda Lauren Jaregui. Eu que admirava como mulher linda, passei a te admirar como ser humano. Você alimentou meu cérebro e ganhou meu coração!

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso

Lauren Jaregui, para a Billboard - Tradução; site Sou Betina

A todos que apoiam Trump que tentam dizer que votar nele não significa que sejam racistas, homofóbicos, sexistas, xenófobos, idiotas… que vocês apenas gostam de como ele não se importava com o que as pessoas pensavam e apenas dizia o que queria… que ele não era um político, então ele não fazia parte da ordem política estabelecida e não tinha dinheiro corrupto o apoiando… isto é para vocês: Suas palavras são inúteis, porque suas ações levaram à destruição de todo o progresso que fizemos socialmente como nação. Com ignorância e se recusando a entender o jeito que o governo e o mundo funciona, vocês permitiram que um magnata dos negócios com fome de poder comandasse os Estados Unidos da América. ‘A terra dos livres, o lar do corajosos, sob Deus, indivisível, com Liberdade e Justiça para TODOS’. Vocês são HIPÓCRITAS.

Restaurar a América ao que era antes é apenas estagnar o progresso das nossas consciências. Vocês votaram em uma pessoa que construiu uma campanha de 18 meses baseada no ódio. Ele manipulou todos vocês com tanta facilidade ao falar com suas partes mais obscuras que começaram a se sentir envergonhadas pela maneira como encaravam o mundo ‘politicamente correto’. Ele se tornou o campeão de vocês porque falou com as partes que pensam que vocês são superiores ao resto de nós (como Hitler fez na Alemanha antes do Holocausto! Basta ler sua autobiografia: ‘Mein Kampf’). Este mundo politicamente correto que nós criamos, que é na verdade apenas um mundo com etiqueta social, no qual temos eliminado a linguagem do racismo e explicado o porquê disso, onde estabelecemos o feminismo como uma noção crescente de fazer as mulheres perceberem o seu valor e o mesmo direito a serem tratadas como os seres complexos que são os homens (e isso claramente precisa de muito trabalho considerando como as mulheres em toda a América, especialmente as mulheres brancas, votaram por este homem que insultou sua própria existência cada vez que ele abriu a boca ou desrespeitou Hillary durante sua campanha), onde tivemos de criar inúmeros rótulos para ajudar as pessoas queer — que não se encaixavam no molde cis heterossexual — a se sentirem válidas e reconhecidas em um mundo onde o pensamento fechado fez com que elas se sentissem invisíveis por tanto tempo. Esse é o comportamento ‘politicamente correto’ do qual você quer se livrar? Você quer fazer com que a América se torne um mundo onde os seres humanos ao seu redor sentem medo de serem eles mesmos e viverem e amarem livremente?

Além disso ser muito egoísta, também não é nada parecido com Cristo, porque o seu Deus está vendo isso e Ele conhece seus corações e Ele está ciente da verdadeira razão pela qual você escolheu esse humano para comandar o país mais poderoso do mundo, e eu prometo que o Deus que eu conheço e amo não tolera julgamento e ódio. E eu sei disso, porque eu fui criada como católica em uma casa latina e estudei numa escola particular católica durante toda a minha vida, então eu estudei a religião ou a Bíblia mais do que a maioria de vocês estudaram. A única razão é a incapacidade de vocês aceitarem o mundo crescente ao seu redor. Vocês escolheram o ódio. Seus corações escolheram se separar como pessoas superiores, quando o único ser superior neste universo inteiro é muito maior do que vocês. Nosso ‘politicamente correto’ que seu vencedor, Donald Trump, tão descaradamente ignorou durante toda a sua campanha e agora com a nomeação de seus conselheiros e outros funcionários do governo, é a linguagem que temos trabalhado incansavelmente para nos sentirmos seguros em um mundo que nunca para de nos lembrar que somos minorias.

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso.

Tenho orgulho de ser parte de uma comunidade que tem projetos de amor e educação e de apoio uns aos outros. Tenho orgulho de ser a neta e filha de imigrantes que foram corajosos o suficiente para deixarem suas casas e chegarem a um mundo totalmente novo, com uma língua e cultura diferentes e mergulharem sem medo para começarem uma vida melhor para si e suas famílias.

Tenho orgulho de ser uma mulher. Orgulho do sexo entre minhas pernas que fornece uma força e resistência em mim que só outras mulheres podem sentir, que o meu corpo tem curvas que me permitem criar vida dentro de mim, que toda a minha vida está repleta de adversidade e dúvida e pessoas questionando a minha inteligência e meu potencial artístico e minha própria expressão e minha virtude e honra porque sou mulher demais. Tenho orgulho de provar que estão errados. Tenho orgulho de ter que trabalhar ainda mais para isso. Eu fui criada para sentir que eu posso fazer QUALQUER COISA, e eu sempre vou acreditar nisso. Tenho orgulho de sentir todo o espectro de meus sentimentos e aceitarei com prazer o rótulo de “cadela” e “problemática” por falar o que penso da mesma maneira que qualquer homem seria admirado e respeitado por fazer igual. Mas, também estenderei a mão cheia de compaixão e empatia para qualquer pessoa me rotulando. Também sei que na minha luta por ser mulher, sou muito privilegiada. Eu nasci com uma pele mais clara e olhos verdes (graças à genética), então nessa perspectiva de mente fechada, eu sou branca. Eu vivenciei o privilégio que esses genes me deram, e eu sou grata e continuarei a falar em nome das mulheres em todo o mundo e de nosso próprio país que não vivenciam uma fração desse respeito por causa da cor de sua pele ou o que elas escolhem para vestir, ou por causa do seu cabelo, ou por causa da quantidade de maquiagem que elas usam ou qualquer outro absurdo aos quais nós mulheres somos reduzidas.

É realmente desanimador para mim ver tantas mulheres bonitas que não têm ideia do seu potencial. Esta eleição tornou óbvio quantas mulheres não podem enxergar isso. Falhamos como nação. Nós somos o exemplo para o mundo, e nós falhamos com nossos companheiros humanos que estavam nos observando com esperança de que não permitiríamos que o ódio prevalecesse. Tive o privilégio de estar em uma banda que me permitiu viajar por todo o mundo. Eu não posso expressar a gratidão que tenho por esta experiência, porque abriu meus olhos para muitas coisas e me permitiu ver o mundo a partir de uma perspectiva tão simples, uma perspectiva que eu entendo que poucas pessoas têm a oportunidade de vivenciar. Se eu pudesse dizer a cada eleitor de Trump duas coisas, seria para viajar e ler um livro de história. Olhe além de si mesmo, olhe quão insignificante é a moral que você defende quando percebe que não somos os únicos. Perceba que sua pele branca é o resultado da imigração da Europa, que os únicos ‘americanos’ verdadeiros são os nativos, que são povos indígenas que habitavam esta terra antes desses conquistadores de outros países (Inglaterra, França, Itália, Espanha) os eliminarem quase por completo. Nenhum de nós pertencemos aqui, mas todos nós merecemos o direito de nos sentirmos seguros e viver nossas vidas em paz. Merecemos o direito de não termos que nos preocupar em morrer, ou sermos eletrocutados, ou espancados, ou estuprados, ou abusados psicologicamente porque nossa existência e/ou nossas escolhas perturbam alguém. Este é o mundo que Trump está promovendo. Esta é a separação que tem aumentado desde o início da campanha. Nós não somos mais a América indivisível, estamos unidos em dois lados divididos; amor e ódio. Nós não estamos ‘lamentando’ pela nossa candidata ter perdido, estamos gritando gritos de batalha contra aqueles cujas agendas políticas e pessoais ameaçam nossas vidas e sanidade. Estamos nos certificando de que você está nos ouvindo, não importa o quanto incomode, nós EXISTIMOS.

sábado, 19 de novembro de 2016

Ódio nunca compensa, seja contra quem for

Grande maioria dos brasileiros é avessa a intelectualidade. Odeia pensar, analisar, negociar. Para quem é avesso ao raciocínio, o caminho mais fácil é o de odiar quem pensa diferente, estejamos certos ou errados. E o país que era estigmatizado por ter um povo "gentil" está perdendo rapidamente esta marca e se tornando definitivamente o país do ódio.

Nem é preciso muito para percebermos claramente a onda de ódio: é só entrar em uma rede social e ler as postagens de uma comunidade que se percebe imediatamente uma mensagem depreciativa. E não raramente nem preciso fazer muito para gerar ódio alheio: basta não corresponder as expectativas dos odiosos, como por exemplo acontece com negros, gays e ateus.

Para piorar ainda mais a onda de ódio que contamina o país, a mídia, que deveria fazer o oposto, estimular o respeito mútuo, contribui para agravar ainda mais a sede de ódio nascente nas mentes inconformadas em um sistema competitivo de uma sociedade falida.

Recentemente, vários episódios de ódio tem acontecido em um curto espaço de tempo. A invasão de um grupo de fascistas na Câmara, o linchamento de estudantes ocupados, a tentativa de linchamento do jornalista Caco Barcellos, agora vem a exposição repetitiva de imagens de Anthony Garotinho no hospital e de Sérgio Cabral Filho em um mugshot.

Independente de quem seja, se mereça ou não ser criticado, há nestes episódios um estímulo a mais ódio. Ao invés de usarmos a inteligência em críticas e negociações, na tentativa de fazer com que os alvos de nosso ódio mudem de comportamento, preferimos partir para a agressão, pois é o que resta em nosso instinto animalesco, graças a nossa recusa insana em raciocinar. Detalhe: todos nós nos achamos inteligentes e partimos para a agressão quando alguém nos lembra de nossa ignorância.

Estamos voltando ao tempo das barbáries. Estamos regredindo como pessoas, do contrário que certas religiões metidas a progressistas sugerem. O século XXI, que deveria ser um século de evolução está nos devolvendo a tempos mais primitivos.

Temos um governo sádico que retoma a ganância destruidora do neoliberalismo. E um povo moralista metido a correto que pensa que sabe melhor que os outros (a ponto de ressuscitar a histeria infantil do anti-comunismo, tão ridícula quanto a do medo do Bicho Papão).

Certamente teremos uma guerra civil não-aramada, que poderá se tornar armada caso as leis de compra de armas se afrouxem como querem os mais conservadores. Aí teremos um gigantesco genocídio onde pessoas irão se matar pelos motivos mais banais. Não precisamos de um Hitler para gerar horrores. A odiosa população brasileira se encarregará de fazer por conta própria o que o fuhrer fez na Alemanha do início do século XX.

A burrice gera ódios cada vez mais sanguinários.

sábado, 5 de novembro de 2016

Benvindo Sequeira fala sobre o ódio

Uma das grandes provas de que vivemos ainda num mundo atrasado é o ódio. Materialistas e sequiosos pelos bens e direitos mal distribuídos, queremos eliminar a concorrência e por isso desejamos que o outro se ferre. Escolhemos uma característica do adversário e a transformamos em defeito para que ele se enfraqueça e o tiremos do caminho e possamos pegar o que pensamos ser nosso. Para mim, essa é a origem do ódio.

Mas Benvindo Sequeira, grande ator, grande analista político e grande ser humano, um dos orgulhos de nosso país, resolveu desabafar sobre este tema que entristece a todos e que comprova que estamos aprisionados em uma era de atraso. A suposta "nova era" virou uma piada e o século XXI chega surpreendentemente em um violento retrocesso em que colocamos para fora os nossos mais bestiais instintos na ânsia desesperada de defender interesses pessoais.

Vejam o sensível vídeo do grande Benvindo e reflitam bem. Sinceramente, enquanto não nos livrarmos do crescente sentimento de ódio, estamos despreparados para viver em sociedade. Há muito mais gente que merecia o isolamento do que se pode imaginar. Talvez o cárcere não seja para ladrões e sim para quem não tem condições de respeitar aquele que, erroneamente, considera seu adversário.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ignorantes e desconfiados, conservadores não querem qualidade de vida. Querem moral e satisfação de expectativas

Não adiantou cerca de 14 anos de progresso sócio-econômico. Confiante na campanha publicitária de difamação lançada pela sempre confiável - mas nem sempre verdadeira - mídia oficial, as pessoas de mentalidade conservadora fecharam os olhos para os avanços do país nos anos de gestão petista e resolveram trazer de volta os velhos direitistas do passado que arruinaram o país, para "reconstruir o país".

Incapazes de criar uma solução nova, que dispensasse o retorno a tempos nebulosos, as pessoas entenderam que as forças políticas que sã comprovadamente falhas, são as melhores para o país. Muitos nem se referem à políticos, mas sim a classes como empresários. Ignora a população que justamente estes sempre foram os principais responsáveis por arruinar o país. Chamaram os demolidores para reconstruir a casa.

Se pensam que colocar empresários nas gestões é novidade, podem tirar o cavalinho da chuva. Graças a nossa ignorância política que nos impede de dialogar com a esquerda, exigindo melhor atuação dos esquerdistas, retornamos aos mais tempos remotos da Velha República. A esquerda sempre será a melhor opção de gestão para qualquer nação e voltar ao velho direitismo significa voltar aos velhos problemas que acreditamos estar eliminados em nosso país.

Mas isso não importa para quem é conservador. O que interessa a eles é uma gestão moralizada e a satisfação das expectativas que a sociedade possui. Não interessa muito a melhoria na qualidade de vida ou no fim das injustiças sociais. Garantir o bem estar particular desses conservadores e apresentar uma gestão que se encaixe com os estereótipos de honestidade e eficácia, já é o suficiente. 

Isso explica porque as pessoas mais conservadoras (que ignoram muitos aspectos da realidade cotidiana) aceitam a PEC 241, a eliminação de direitos e até o sadismo contra aqueles que não se encaixam em seu conceito de "gente". 

Por não terem sido educados com o senso de humanidade, senso de coletividade e conhecimento político-econômico, preferem que as coisas aconteçam de forma mais simplória, como nas obras de ficção, com um super-líder decidindo o que deve ou não ser feito.

Assim caminha o nosso país para uma reedição atualizada da Velha República, responsável por muito retrocesso que travará o país na sua perpétua condição de país sub-desenvolvido. Um Haiti de luxo e um pouco mais pomposo e alegre.

domingo, 30 de outubro de 2016

A incrível maturidade de Ana Júlia Ribeiro

Estamos vivendo tempos loucos no Brasil. Um a verdadeira multidão de analfabetos políticos cismou que entende mais de política do que o resto da população e resolve cometer suas atrocidades por pensar saber o que está fazendo. Uma das primeiras atitudes, obviamente, foi o golpe. Mesmo vitoriosos e com vários integrantes com grande vivência etária, esses analfabetos políticos não cessam de demonstrar a sua imaturidade, agindo como crianças teimosas e birrentas.

Na contramão dessa gente de muita idade e pouca razão, aparece uma menina de 16 anos que nos dá esperanças em um futuro melhor. Essa menina que nem atingiu a maioridade legal, demonstrou de maneira clara, tranquila, uma sensatez, além de lucidez e maturidade muito superiores a que todos os direitistas têm juntos. O nome dela é Ana Júlia Ribeiro, que vive em Curitiba, hoje, uma cidade governada pelo Fascismo.

Ela foi convidada pela Assembléia Legislativa do Paraná para explicar os motivos da ocupação. E mesmo sendo aluna e não professora, deu uma impressionante aula aos presentes. Um dos deputados até tentou censurá-la, quando ela questionou o fato de culparem os manifestantes pela morte de um aluno (atacado por um colega por motivos pessoais), mas prosseguiu com o seu brilhante discurso.

Questionou também a medieval Escola sem Partido, uma medida criada por políticos religiosos que pretende eliminar debates nas escolas, impondo uma espécie de "educação" mecânica e 100% direcionada para o mercado de trabalho. Sobre esta medida que pretende extinguir a verdadeira educação, Ana Júlia falou:

 “É uma escola sem senso crítico, é uma escola racista, homofobia. É falar para os jovens que querem formar um exército de não pensantes, um exército que ouve e baixa a cabeça. Não somos isso. Escola sem Partido nos insulta, nos humilha, nos fala que não temos capacidade de pensar por nós mesmos”.

Se não bastasse o brilhante e amadurecido discurso, Ana Júlia ainda deu a melhor definição da abominável Escola sem Partido, curto e direto. Ela acabou fazendo como devem os verdadeiros sábios, definindo tudo com poucas palavras. Certamente, Ana Júlia é o tipo de aluna que os criadores e defensores da Escola sem Partido sonham em nunca existir.

Obrigado, Ana Júlia Ribeiro, pela sua verdadeira aula de cidadania! Por um momento você deixou de ser aluna para ser mestre. A melhor dos mestres. Você me faz acreditar no futuro. Que venham muitos jovens como você, dispostos a transformar esta sociedade em algo melhor para se viver e conviver. Só em seu discurso pude aprender muitas lições que ficarão guardadas para sempre.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma estoria comovente para ler, se emocionar e refletir

Vivemos em uma época de ódio e desconfiança. As crises que são causadas pelo cada vez mais irresponsável Capitalismo tem tornando escassos muito bens essenciais. Na disputa por eles, acabamos desenvolvendo desconfiança e inimizade. Está cada vez mais difícil amar os outros.

Mas há quem ame de verdade e não se conforme com esta onda de ódio. Eu mesmo pensava que no século XXI estaríamos mais capazes não somente a pensar mas a amar também. Poucos sabem, mas o verdadeiro amor vem da razão. Compreendendo melhor a essência humana e seus problemas, somos capazes de sentir afeto e de atos altruísticos, feitos com mais eficiência.

Estava visitando o site de curiosidades Mini Lua e me deparei com esta sensível tirinha que tem uma meiga jovem como protagonista. Me identifiquei com ela pois passei pela situação narrada, infelizmente mais de uma vez. Vocês devem estar imaginando que o meu balão em forma de coração está mais do que surrado e remendado.

Leiam a estorinha sensível que me comoveu profundamente e me comove toda vez que leio. Em tempos de ódio, desprezo e relações por interesse, a situação narrada se torna mais comum nas vidas das pessoas realmente sensíveis, capazes de entender que a felicidade é algo para ser compartilhado, do contrário que muita gente (sobretudo os que seguem ideologias de direita) vive a defender.







terça-feira, 25 de outubro de 2016

Capitalismo, teu nome é solidão!

ESPREMENDO A LARANJA: O ser humano é um ser social. O brasileiro é ainda mais social. A vida social é uma prioridade para o brasileiro. Em nome da satisfação alheia, os brasileiros são capazes de moldar a sua personalidade, gostos, ideias, hábitos, crenças. Chegam a fazer o que detestam com a finalidade de manter contatos sociais. Até a onda direitista,  ominante no Brasil de hoje, tem muito a ver com esse negócio de agradar aos outros, sobretudo aos mais influentes.

Mas ao mesmo tempo isso tudo gera uma ilusão, pois o contato humano não é condicionado pelo afeto, mas pelas circunstâncias e pelos interesses. Na verdade, as pessoas forjam seus contatos, muito mais na intenção de satisfazer um instinto do que realmente criar um laço sincero entre seres humanos. É complicado entender isso. Mas o que se pode concluir que apesar disso, a solidão aparece como o ameaçador mal do século XXI. 

Estamos cada vez mais incapazes de entender-nos uns aos outros. A teimosia em transformar opiniões em patrimônios e a confusão entre fato e convicção, razão e crença tem sido motivo principal e até exclusivo de muitas brigas. Perdemos a capacidade de dialogar com sensatez. Cada um defende as suas tolas convicções como se fossem barras de ouro.

O texto abaixo fala bastante sobre a crise social em que encontramos. Acrescento que devemos pensar muito sobre o que estamos fazendo com nossos contatos. Não está mais do que na hora de aprendermos a ouvir a opinião alheia, analisar e debater para chegar a uma conclusão lógica, onde ideias equivocadas possam ser desfeitas e criar um consenso que seja resultante da lógica e não da necessidade forçada de pensarmos igual para agradar aos outros.

Capitalismo, teu nome é solidão!

George Monbiot, com  tradução de Inês Castilho, site Outras Palavras

O que poderia denunciar mais um sistema do que uma epidemia de doença mental? Pois ansiedade, estresse, depressão, fobia social, desordens alimentares, automutilação e solidão atingem cada vez mais pessoas em todo o mundo. A última ocorrência - divulgação de dadoscatastróficos a catástrofe dos sobre saúde mental das crianças inglesas - reflete uma crise global.

Há muitas razões secundárias para esse sofrimento, mas a causa fundamental parece ser a mesma em todos os lugares: os seres humanos, mamíferos ultrassociais cujos cérebros estão conectados para responder uns aos outros, estão sendo separados. Mudanças econômicas e tecnológicas, assim como a ideologia, desempenham o papel principal nessa história. Embora nosso bem-estar esteja indissociavelmente ligado à vida dos outros, onde quer que estejamos dizem-nos que só prosperamos pelo auto-interesse competitivo e extremo individualismo.

No Reino Unido, homens que passaram a vida inteira em espaços públicos - na escola, na universidade, no bar, no parlamento - nos doutrinam para que permaneçamos sozinhos. O sistema educacional torna-se a cada ano mais brutalmente competitivo. O emprego é uma luta quase mortal com uma multidão de outras pessoas desesperadas caçando empregos cada vez mais raros. Os modernos feitores dos pobres atribuem à culpa individual a circunstância econômica. Intermináveis competições na televisão alimentam aspirações impossíveis, no exato momento em que as oportunidades reais estão cada vez mais reduzidas.

O consumismo preenche o vazio social. Mas, longe de curar a doença do isolamento, intensifica a comparação social a ponto de, depois de consumir todo o resto, começarmos a ser predadores de nós mesmos. As mídias sociais nos unem e nos separam, possibilitando que quantifiquemos nossa posição social e vejamos que outras pessoas têm mais amigos e seguidores do que nós.

Como Rhiannon Lucy Cosslett documentou brilhantemente, meninas e jovens mulheres alteram, como rotina, as fotos que postam para parecer mais bonitas e mais magras. Alguns celulares com dispositivos “de beleza” fazem isso sem que você peça; agora você, magra, pode tornar-se sua própria inspiração. Bem-vindo a uma distopia pós-Hobbesiana: uma guerra de todos contra todos

Haverá algum encantamento nesses mundos interiores solitários, nos quais tocar foi substituído por retocar, e mulheres jovens estão se afundando de agonia? Estudo recente realizado na Inglaterra sugere que uma em cada quatro mulheres entre 16 a 24 anos automutilaram-se e uma em cada oito sofrem de distúrbio de estresse pós-traumático. Ansiedade, depressão, fobia ou distúrbio compulsivo-obsessivo afetam 26% das mulheres nesse grupo etário. Parece ser uma crise de saúde pública.

Se a ruptura social não é tratada tão seriamente quanto um membro quebrado, é porque não podemos vê-la. Mas os neurocientistas podem. Uma série de artigos fascinantes sugere que a dor social e a dor física são processadas pelos mesmos circuitos neurais. Isso pode explicar arazão por que, em várias línguas, é difícil descrever o impacto da ruptura de vínculos sociais sem as palavras que usamos para designar injúria e dor física. Tanto em humanos quanto em outros mamíferos sociais, o contato social reduz a dor física. Essa é a razão por que abraçamos nossas crianças quando elas se machucam: o afeto é um analgésico poderoso. Opiáceos aliviam tanto a agonia física quanto a angústia da separação. Talvez isso explique a ligação entre oisolamento social e a drogadição.

Experimentos resumidos no jornal Psicologia & Comportamento do mês passado sugerem que, diante de uma escolha entre dor física ou isolamento, os mamíferos sociais escolherão a primeira. Macacos-prego mantidos sem alimento e contato por 22 horas irão juntar-se a seus companheiros antes de comer. Crianças que experimentam negligência emocional, segundo certas descobertas, sofrem piores consequências de saúde mental do que crianças que sofreram tanto negligência emocional quanto abuso físico: apesar de hedionda, a violência envolve atenção e contato. A automutilação é frequentemente usada como forma de tentar aliviar sofrimento: outra indicação de que a dor física não é tão ruim quanto a dor emocional. Como o sistema prisional sabe muito bem, uma das formais mais efetivas de tortura é o confinamento em solitária.

Não é difícil perceber quais podem ser as razões evolucionárias para a dor social. A sobrevivência entre os mamíferos sociais é significativamente ampliada quando eles estão ligados por fortes laços ao resto do grupo. Os animais isolados e marginalizados são os que mais provavelmente serão apanhados por predadores, ou morrerão de fome. Assim como a dor física nos protege de lesões físicas, a dor emocional nos protege de danos sociais. Ela nos leva a nos reconectar. Mas muita gente acha isso quase impossível.

Não é surpresa que o isolamento social esteja fortemente associado a depressão, suicídio, ansiedade, insônia, medo e percepção de ameaça. Mais surpreendente é descobrir o leque de doenças físicas que ele causa ou exacerba. Demência, pressão sanguínea alta, doenças cardíacas, AVCs, queda de resistência a vírus, até mesmo acidentes são mais comuns entre pessoas cronicamente solitárias. A solidão tem umimpacto na saúde física comparável a fumar 15 cigarros por dia: parece aumentar o risco de morte precoce em 26%. Isso se dá, em parte, porque eleva a produção do hormônio do estresse cortisol, que inibe o sistema imunológico.

Estudos realizados tanto em animais como em humanos sugerem uma razão para o bem-estar alimentar: o isolamento reduz o controle dos impulsos, levando à obesidade. Como aqueles que estão na base da pirâmide socioeconômica são os que têm maior probabilidade de sofrer de solidão, será esta uma das explicações para a forte ligação entre baixo status econômico e obesidade?

Qualquer pessoa pode perceber que algo crucial — muito mais importante do que a grande maioria dos problemas que nos atormentam — deu errado. Por que razão continuamos mergulhados neste frenesi de autodestruição, devastação ambiental e deslocamento social, se tudo o que isso produz é uma dor insuportável? Essa pergunta não deveria queimar os lábios de todos os que estão na vida pública?

Há instituições de caridade maravilhosas fazendo o que podem para lutar contra essa maré. Trabalharei com algumas delas como parte do meu projeto sobre solidão. Mas, para cada pessoa que elas alcançam, muitas outras são deixadas para trás.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Gozado. Nunca gostei de música infantil. Nem quando eu era criança.

Engraçado. Eu devia ter sido um menino superdotado, precoce ou alguma coisa parecida, pois eu nunca gostei de música ou de festinhas infantis. Nunca tiveram graça. Claro que na época não chegava a pensar sobre isso, nem sabia porque não gostava. Mas sabia que não gostava.

Engraçado que atualmente vemos muitos adultos cantarolarem as bestas canções infantis. Interessante como os adultos tratam as crianças como debilóides, como se a mente das crianças fosse uma caixa vazia, sem informações esperando que o mundo-burro dos adultos as "ensine" para que o cérebro delas passe a "funcionar".

Ainda mais quando vivemos num tempo onde até as músicas feitas para adultos tem características infantiloides. Já ouviram aquela do Exaltasamba que pergunta se uma mulher tem dono? Parece música de tantã! Só comediantes e cretinos conseguem compor uma idiotice como essa. Ivete Sangalo? Xiiii, essa só consegue gravar músicas infantis... Sem falar no Wesley Safadão, que fica 2/3 do tempo de cada uma de suas apresentações falando um monte de bobagens para no resto cantar música ruim.

É bom os adultos pararem de tratar criança feito doente mental. Com o andar dos tempos, muitos jovens vão aprendendo a observar melhor a realidade, se tornando mais capazes de propor soluções, mesmo em um momento cheios de injustiças e desigualdades.

Eu pelo menos nunca gostei de ser tratado feito idiota. Nem quando eu era bem "pequetitinho".

terça-feira, 20 de setembro de 2016

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que passa na mente de um fascista

Infelizmente, do contrário que deveria ser, a intolerância vem crescendo de forma assustadora em nosso país. Com a intolerância, veio o Fascismo, que é uma ideologia intolerante. Mas o que há no Brasil não é necessariamente o Fascismo de Mussolini.

Há quem diga que o fascismo do ditador italiano é mais um dos vários tipos de Fascismo (o Nazismo também é e pode-se considerar também o pseudo-socialismo de Stalin). Possivelmente, Mussolini pode ter esquematizado e transformado o fascismo em doutrina.

De qualquer forma, o fascismo está infelizmente em alta no mundo e também no Brasil. Não que ele tenha surgido agora, mas o apoio de instituições tradicionais a destituição dos governos petistas tem dado coragem aos fascistas, tradicionalmente na clandestinidade, para se manifestarem. Ou seja, os fascistas agora tem apoio legal para agirem. Caso sejam pegos pelos seus excessos, é só utilizar a velha desculpa de "defesa da pátria, da honra e de valores nobres" e tudo está resolvido.

O Fascismo se caracteriza pela escolha de uma classe ou povo privilegiado e pela intolerância violenta contra aqueles que não se encaixam nos valores defendidos pelos fascistas. Fascistas são bem agressivos contra aqueles que se opõe a seus estereótipos e a sua ideologia.

Um detalhe curioso é que fascistas sentem a necessidade de ter um inimigo para justificar seu ódio e agressividade. Como são "educados" para a agressividade, eles tem que encontrar algo que a justifique, que a torne legítima e aceitável. Se um inimigo não existe, eles tratam logo de inventá-lo. Sabem muito bem que se forem agressivos sem justificativa, podem ser punidos.

Fascistas são mais egoístas, teimosos e agressivos que os intolerantes comuns. São claramente paranoicos e passam a maior parte de suas vítimas caçando inimigos para exterminar. Sonham com um mundo onde somente eles existam e em tempos de crise e escassez de bens, fascistas agem como feras famintas, ignorando qualquer obstáculo que impeça-os de eliminar quem eles quiserem.

Por incrível que pareça, fascistas nunca são ateus. O Fascismo em si tem características de religião e muitos de seus pontos de vista são construídos com base na crença e não na racionalidade. Como os cristãos, elegem eles mesmos como "povo escolhido" e os inimigos escolhidos (aqueles que correspondem ao oposto de seus valores) são definitivamente endemoniados.

Fascistas não se consideram fascistas. Não raramente colocam este rótulo justamente nos seus alegados inimigos. Fascistas se consideram "homens de bem" (este é o nome pelo que eles preferem ser conhecidos) e defendem valores supostamente elevados, como patriotismo e a humanidade. Embora achem que "humanidade" seja apenas os seus assemelhados e os seus concordantes.

É urgente o cuidado com fascistas. Muitos deles se sentem seguros nas redes sociais para cometer suas atrocidades. São gente teimosa, que detesta diálogo e que luta com bravura pelo seu conjunto de valores, tratado por eles como um valioso patrimônio.

O recomendável é nunca debater com um fascista, Fascistas devem ser ignorados. É também indispensável ocultar características que soem ameaçadoras às convicções dos fascistas. Fascistas só conseguem enxergar o próprio senso de moral e se eles acharem necessário, são capazes de assassinar qualquer um que desafie os seus pontos de vista retrógrados.

É preciso que autoridades criminalizem o Fascismo e punam os fascistas. Infelizmente, algumas mas importantes reivindicações dos fascistas casam com as orientações políticas das instituições que criam, executam e protegem as leis. Infelizmente será preciso que os fascistas concluam suas atrocidades para que a lei possa agir.

Gostaria que não fosse assim. Muitos inocentes poderão se dar muito mal diante desse relaxamento das leis. Eu queria mesmo que a lei usasse a prudência e criminalizasse o fascismo. Mas os fascistas se consideram "homens de bem", fazer o quê? Quem vai querer condenar um "homem de bem?...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Bullying, uma forma particularmente danosa de violência

ESPREMENDO A LARANJA: O Bullying arruinou a minha vida. Os problemas sociais afetivos e profissionais que tenho são sequelas de uma adolescência humilhante, onde fui ridicularizado por gente que pensava que era melhor do que eu (e claramente não era e nem é). Combater essa praga, incurável em uma sociedade competitiva e consumista, onde o objetivo de quase todos é um ser melhor que o outro, através de atitudes estereotipadas e acúmulo de bens e direitos, é quase impossível. Mas muita gente, felizmente, se esforça para acabar com este mal, denunciando e propondo soluções. A entrevista abaixo mostra um desses esforços.

O texto abaixo é meio antigo. Mas o que é dito nele em boa parte continua valendo e deve ser lido para que possamos compreender e combater este mal que cresce a cada dia, das mais variadas formas, graças a intolerância e teimosia, raízes da onda de ódio e desconfiança que domina as relações humanas dos últimos anos.

Entrevista com Marcos Rolim: Bullying, uma forma particularmente danosa de violência.

Blogue Mundo em Colapso  

Marcos Rolim é jornalista formado pela UFSM, especialista em segurança pública pela Universidade de Oxford (UK)  e mestre em sociologia pela UFRGS, onde está concluindo seu doutoramento. É professor da Cátedra de Direitos Humanos do Centro Universitário Metodista (IPA) e coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS). Atua, ainda, como consultor em segurança pública. É autor, entre outros trabalhos, de "Bullying, o pesadelo da escola" (Dom Quixote) e "A Síndrome da Rainha Vermelha: policiamento e segurança pública no século XXI" (Zahar/Oxford University).

Entrevista concedida e publicada no dia 14 de Fevereiro de 2013.

MUNDO EM COLAPSO:  Você acredita que o acesso da população a armas de fogo é a principal diferença que evita aqui os ataques psicopatas que acontecem nas escolas Estadunidenses?

MARCOS ROLIM: As armas de fogo se transformaram em um problema de saúde pública nos EUA. Elas estão presentes em, pelo menos, 35 mil mortes e em mais de 100 mil ferimentos a cada ano nos EUA. Os Estados Unidos tiveram, em 1997,  34.436 mortes por armas de fogo. Deste total, 54% foram casos de suicídios (16.166), 42% foram homicídios (15.289) e 3% casos de mortes acidentais (981 casos).  Uma média impressionante de 88 mortes por arma de fogo ao dia, das quais 12 são de jovens (CSGV, 2001). Nos EUA, dois terços dos homicídios são praticados com armas de fogo e, entre os jovens de 15 a 24 anos que foram vítimas de homicídios, mais de 80% deles morreram por conta dos ferimentos causados por armas de fogo (Cook et al. 1995). Em sua história recente, os EUA tiveram vários atentados com armas de fogo contra seus presidentes, como John Kennedy e contra líderes da luta pelos direitos civis, como Martin Luther King.  Para piorar o quadro, os EUA têm convivido com uma seqüência de massacres praticados com armas de fogo envolvendo, basicamente, duas situações: atiradores perturbados mentalmente, munidos de armas automáticas, que alvejam aleatoriamente pessoas na rua, e jovens armados que descarregam suas pistolas dentro de escolas, matando alunos e professores.

Massacres em escolas já ocorreram em outros lugares, inclusive no Brasil. Em 1996, houve o Massacre de Dunblane, na Escócia, um sujeito de nome Thomas Hamilton, 43 anos, matou 16 crianças entre 5 e 6 anos e um professor, em apenas três minutos de disparos antes de se suicidar. No mesmo ano, ocorreu a Tragédia de Port Arthur, na Austrália, que resultou na morte de 35 pessoas e em sérios ferimentos em outras 37. A tragédia ocorreu nas ruínas da Prisão-colônia de Port Arthur, um lugar muito freqüentado por turistas.  O responsável pelos disparos, Marin Bryant, 29 anos, usou um rifle semi-automáico para atingir suas vítimas.  Antes destes dois casos, houve o Massacre de Montreal, no Canadá, em 1989, quando Marc Lepine, 25 anos, com uma mini metralhadora, atingiu 28 estudantes e professoras, matando 14 jovens mulheres na Escola Politécnica da Universidade de Montreal. O tema central nestes massacres foi o acesso a armas semi-automáticas e automáticas. A diferença é que na Grã Bretanha, Austrália e Canadá, a opinião pública pressionou os respectivos parlamentos que aprovaram leis que baniram as armas de fogo ou restringiram radicalmente o acesso a elas. Nos EUA isto nunca ocorreu. Agora, depois do massacre mais recente, Obama está tentando aprovar uma lei de maior controle. As propostas já anunciadas, entretanto, são muito tímidas e, mesmo assim, enfrentarão forte resistência.

No Brasil, o Estatuto do Desarmamento criou uma nova realidade a partir de 2004, tornando mais difícil o acesso às armas e praticamente inviabilizando o porte. Mesmo antes desta lei, entretanto, nunca tivemos a facilidade de comprar armas automáticas e semi-automáticas como ocorre na maioria dos estados americanos. Isto faz muita diferença quanto à letalidade potencial.

MUNDO EM COLAPSO: O bullying é uma prática que acontece apenas em ambiente escolar ou ela está presente no trabalho, nos espaços de convivência, pela polícia, políticas públicas e dentro dos lares? Hoje em dia a palavra "Bullying está na moda e sendo usada para muita coisa, o que caracteriza exatamente o bullying?

MARCOS ROLIM: O bullying é uma forma particularmente danosa de violência e suas conseqüências podem ser muito graves. Para que ele ocorra são necessárias duas características básicas: a violência (em qualquer das suas manifestações) deve ser praticada entre pares – vale dizer: entre pessoas que não estão submetidas por relações hierárquicas, e deve ser repetida.  É a repetição da violência sobre as mesmas vítimas que torna o bullying especialmente destrutivo e que costuma transformar a vida dos atingidos em um inferno.  Com a banalização da expressão, há muito emprego equivocado do conceito. Já ouvi falar, por exemplo, de “bullying” de professor sobre aluno, ou vice-versa. Ora, professores e alunos estão em uma relação hierárquica, não são “pares”, logo não há, conceitualmente, a possibilidade de bullying aí.  Pode haver – e há – bullying entre professores, assim como há entre alunos. Outras vezes, o bullying é confundido com o assédio moral, fenômeno muito diverso.  O bullying pode ocorrer em qualquer espaço, desde que entre pares e de forma repetida. Muito comumente, as agressões se prolongam por anos. Elas podem envolver agressões físicas ou não. Práticas de humilhação e de isolamento, por exemplo, são mais comuns e podem ser piores que as agressões físicas.

MUNDO EM COLAPSO: Como estão as iniciativas anti-bullying atualmente em seu estado? Que políticas públicas estão sendo realizadas ou projetadas?

MARCOS ROLIM: O RS saiu na frente e foi um dos primeiros estados a ter uma legislação anti-bullying, com o projeto de autoria do vereador Mauro Zacher (PDT) aprovado pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Logo depois, uma iniciativa inspirada nesta lei municipal se transformou em lei estadual, por iniciativa do então deputado Adroaldo Loureiro.  Até hoje, entretanto, nem a prefeitura de Porto Alegre, nem o governo do estado, desenvolveram uma política pública com base nestas legislações. Para que isso ocorra seria preciso que os governantes se interessassem pelo tema e delineassem políticas específicas que envolvem, basicamente, investimentos na formação dos professores e das direções das escolas.

MUNDO EM COLAPSO: Em seu site existem alguns livros para encomendar, como autor você já conseguiu algum lucro?

MARCOS ROLIM: Meus livros costumam vender razoavelmente. A “Síndrome da Rainha Vermelha”, por exemplo, já vai para a terceira edição, o que é uma raridade em se tratando de literatura científica e sociológica no Brasil. Mas o que os autores recebem por conta de direitos autorais é, quase sempre, insignificante. Há outros trabalhos meus sobre os quais abri mão dos direitos autorais, como o estudo sobre as armas – “Desarmamento: evidências científicas (ou: tudo aquilo que o lobby das armas não gostaria que você soubesse)” - que está disponível para download em minha página (www.rolim.com.br).  O melhor de escrever livros é ser lido. Escrever para mim é uma forma de lutar.