terça-feira, 23 de maio de 2017

Conservadores odeiam seres humanos. É preciso estarmos cientes disso

É preciso pararmos de sermos ingênuos com esta onda de neo-conservadorismo que há hoje não somente no Brasil, como no mundo. Conservadores não estão pedindo um mundo melhor, do contrario que isso apareça em seus discursos. Isso é papo. Na verdade, os conservadores estão, além de preocupados com a crise que limita sua ganância, com as mudanças de valores sociais que podem arruinar com as suas convicções e com seus privilégios.

Apesar de se auto-rotularem com o pomposo nome de  "cidadãos de bem", que dá um caráter nobre às suas reivindicações, eles nada tem de nobre (fora a gorda conta bancária de alguns deles|). Apesar de se considerarem como "do bem", eles não cansam de demonstrar seu ódio e de desejar o prejuízo das pessoas que atrapalham seus planos gananciosos. 

É impossível considerar alguém como "do bem" se este mesmo alguém reserva o bem estar a poucos ("direitos humanos para humanos direitos", é o que dizem, deixando claro que os "humanos direitos" são apenas os odiosos conservadores e os que os apoiam) e o prejuízo de muitos.

Os conservadores, na malandragem de fingir que não são cruéis, justificam seu ódio e sadismo como uma forma de "defesa" contra seus discordantes. Eles inventam que progressistas é que são pessoas do mal e que representam uma ameaça séria à "sociedade de bem" composta apenas pelos próprios conservadores. É na verdade uma troca de valores, onde o vilão exige punição ao mocinho, porque o mocinho "pode fazer maldades".

"Bom é quem quer tudo para si. Altruístas são do mal: devem ser eliminados"

Interessante esta inversão de valores. O ganancioso que quer tudo para si e sonha com a sociedade inteira tendo as mesmas convicções que ele, pode ser considerado bondoso. Enquanto que uma pessoa que deseja o bem a toda a humanidade (incluindo os conservadores, acredite), sem distinções, é considerada má, perversa e deve ser eliminada da sociedade. Por incrível que pareça, é este conceito de bondade versus maldade que existe na cabeça de qualquer conservador.

Na verdade, conservadores odeiam seres humanos. Mesmo sem declarar de maneira explícita, sempre deixaram claro este fato. Para conservadores, o que interessa são valores (convicções), patrimônio (bens e dinheiro) e instituições (pátria, família, religiões, etc.). As pessoas que respeitarem estas três coisas serão respeitadas. As que atrapalharem os planos de conservação destas três coisas, devem ser eliminadas, por punições, ou por prisões e se possível com a morte.

Infelizmente, estamos regredindo não apenas no cotidiano. Mas em nossas mentes, também regredimos, recuperando nosso instinto de barbárie. O neo-conservadorismo mostra que ainda não aprendemos a amar o próximo. Se esconder na capa de "cidadão de bem" não ajuda a melhorar nada. Pelo contrário, serve para vestir lobos com pele de carneiro. 

A humanidade só perde com o neo-conservadorismo. Conservadores detestam pessoas. Conservadores detestam o progresso.

domingo, 14 de maio de 2017

A legitimação da ganância

Tenha a absoluta certeza. O golpe ocorrido em 2016 e que acabou com a democracia teve como principal motor a ganância dos homens mais ricos instalados no país. Se achando mais do que os outros e no direito de mandar até na política brasileira, inventaram que seus opositores eram "corruptos" através de uma bem sucedida campanha publicitária, para poder colocar os representantes deles no poder e resultar nesta imoralidade que vemos hoje.

Se queriam um resumo sobre como foi o golpe, acabei de dar uma boa descrição. O que deve se observar é que o que houve foi uma ação dos gananciosos na defesa do "direito" de ser melhor que os outros e portanto ter mais do que os outros. 

Com aquela falácia de "trabalhei para isso", tentam convencer a população de mal informados de que é legítimo para certas pessoas ter mais que os outros. Mas todos esquecem que os homens mais ricos do país enriqueceram não por trabalho, mas por herança, por aplicações em bolsas de valores e, infelizmente em vários casos, por corrupção. Até porque trabalho suado dá dinheiro, mas não gera gigantescas fortunas.

Os defensores dos sistemas de direita e conservadores em geral, pelo jeito, não consideram a ganância um defeito. Talvez achem que certas pessoas tem direito de serem gananciosas e de se intrometer em tudo. É triste saber que um grave defeito, altamente danoso, é legitimado e tratado como uma prerrogativa de uma determinada classe social.

Considero a legitimação da ganância, assim como a necessidade da existência de armas, uma prova de que ainda somos bem primitivos. Os que pensam viver numa sociedade avançada e com grandes mudanças, certamente não vive num mundo real. Vejo muitos dos instintos animais não somente na personalidade das pessoas, mas em importantes pontos incluídos no senso comum. A ganância é um destes instintos.

Nunca foi tão bom sermos egoístas como agora. Ainda temos que aprender a viver na coletividade.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Polarização tem o objetivo de desunir os brasileiros e impedir melhorias reais para o Brasil

O Brasil vive um período triste na sociedade brasileira. A polarização política desenterrou o conflito de classes existente, mas nunca assumido em nossa sociedade, estigmatizada como cordial, pacífica e afetuosa. 

De um lado, os chamados "coxinhas", defensores das classes dominantes. De outro, os "mortadelas", "petralhas" ou coisa parecida, defensores das classes populares. De nenhum lado, os que querem que toda a sociedade brasileira entre em um acordo, que procure beneficiar o maior número de pessoas. Vivemos em uma guerra civil ainda não-declarada.

Para as classes dominantes, é muito bom que a sociedade brasileira esteja polarizada. Isso impede que a população se una e combata os problemas reais do país. Mantendo a população desunida, impede-se de ver milhões de pessoas invadindo sede de empresas, congresso, sede de governos, etc. As lideranças se sentem tranquilas com a desunião da população, que ficará bem ocupada arrancando os cabelos uns dos outros, enquanto os líderes continuam à vontade impondo suas decisões gananciosas.

Ninguém está preocupado com o progresso da sociedade brasileira. Pelo contrário. Por motivos ideológicos, na tentativa idiota de defender um dos lados, lança-se mão até de retrocessos, pois o que importa é derrotar o lado oposto. Mas ninguém se senta em frente diante do outro para ouvir as partes e negociar uma melhoria que seja para toda a população. 

Ao invés disso, tomam atitudes que servem mais para exaltar o lado do qual pertencem. Direitistas exaltando e legitimando a ganância, enquanto esquerdistas fazendo apologia às drogas e estimulando para que as mulheres vendam seus corpos. Interessante que os dois lados preferem defender erros do que propor acertos, saindo no pau um contra o outro enquanto o país se afunda, com a população junto.

Ficou praticamente impossível conversar pacificamente sobre política com as pessoas. cada um interessado em defender o seu lado e atacar o outro. Até as críticas feitas a políticos comprovadamente errados são feitas de forma subjetiva, usando motivos moralistas do que técnicos. Por exemplo: criticar Aécio porque ele supostamente cheira pó e não por ser um político incompetente e corrupto.

O analfabetismo político e a confiança que a população ainda deposita na mídia oficial - controlada e patrocinada por magnatas interessados em arruinar o país - tem desunido a população. Até que o diálogo comece a dar sinais de que quer aparecer, ainda vamos continuar nos xingando, cada u desejando que políticos e o país sejam como cada um quer, mesmo que se tornem nocivos a boa parte da população. Mas quem defende apenas o seu lado, pouco está se lixando para o outro. 

"Farinha pouca, o meu pirão, primeiro!": este deveria ser a nova frase a ser escrita na bandeira do Brasil.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Porque as pessoas preferem o assistencialismo do que um altruísmo mais eficiente?

O egoísmo pertence a natureza humana. Faz parte do instinto de sobrevivência animal o fato de querermos que o outro se ferre para não nos ferrar. O altruísmo não é instintivo e sim algo que devemos desenvolver. E não desenvolvemos.

Mas parecer altruísta diante de olhos alheios tem as suas vantagens. Pessoas gostam de admirar pessoas que são boas. Mesmo as pessoas que são egoístas gostam de ver outras (não elas) fazendo caridade. Mas a caridade tem o seu limite, pois egoístas não gostam de ceder seus benefícios a outrem.

A caridade aprovada pelo senso comum não deve incomodar os gananciosos. Até aprendermos a ser gente de verdade, continuamos acreditando que há pessoas que tem o "direito" de serem gananciosas, como os mais ricos, sobretudo empresários e celebridades.

Agora quando se tenta por em prática o verdadeiro altruísmo, como fazem os ativistas e políticos da linha progressista, tende-se a criminalizar. Os gananciosos que eu citei, com medo de ter que perder seus privilégios, se incomodam com a verdadeira caridade porque ela, para repartir, tem que tirar o excesso dos privilegiados. E para quem é ganancioso, excesso não é excesso, é direito legitimado.

A tendência do senso comum é admirar a caridade quando ela não transforma, não muda. Sopinhas sendo distribuídas. Cestas básicas, agasalhos. Ricos jogando futebol com jovens pobres. Cursos profissionalizantes para trabalhar em chãos de fábrica. Curioso que não se vê cursos profissionalizantes de Administração ou algum cargo de liderança para pobres. Ter um líder vindo das periferias incomoda as elites (não é, anti-petistas?). Tudo a ver com a lógica egoística dos gananciosos privilegiados.

Acredito que é justamente por não mexer nos privilégios dos gananciosos e nem mexer com as estruturas de poder que a caridade conhecida como assistencialismo e que é tradicionalmente feita por ONGs de vários tipos e por instituições religiosas é muito mais aceito pela sociedade do que o ativismo social que estimula o senso crítico e a política social que muda as leis para que as desigualdades desapareçam.

Acabar com as desigualdades é algo que não agrada às elites. Mas mesmo avessas ao fim das desigualdades, é necessário apoiar algum tipo de atitude altruística para que se possa ter uma imagem de bondade e ganhar a confiança alheia nem que seja para arrancar mais dinheiro de outras pessoas.

Para isso que serve a caridade paliativa: o pobre fica calado com a parca ajuda recebida, a elite finge ser altruísta e o sistema continua como está, com as eternas desigualdades que nunca são resolvidas.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Lugar marcado para paqueras

A sociedade brasileira adora regras. Dá a ilusão de organização. Onde não tem regras, sempre aparece um engraçadinho disposto a criar e outros mais engraçadinhos ainda a obedecer. E muitas dessas regras são criadas aleatoriamente, sem observar a sua necessidade, com a finalidade ou de criar obstáculos a obtenção de um direito, ou apenas para dar ilusão de organização mesmo.Uma dessas regras é a estipulação de lugares fixos para paqueras.

Ué, mas não vivem dizendo que no amor não existem regras? É, dizem. Mas só de brincadeirinha. Vocês não acham que em uma sociedade com a brasileira, que obedece rigorosamente mídia e tradições sociais, a vida afetiva ia ser deixada de fora nessa ditadura enrustida?

Mulher não paquera nas ruas

Seja por insegurança, seja pela facilidade em arrumar namorados em seus ambientes particulares, é notável que as mulheres não gostam de paquerar nas ruas. Isso é fato e muito observado.

Na verdade, as mulheres estipulam as regras de conquista. É uma espécie de filtro instintivo - ser humano não precisa disso, qualé? Temos raciocínio!), para eliminar a excessiva demanda masculina. Quanto mais atraente for a mulher, mais regras fará, para que apenas aquele que satisfaça todas as exigências  atravesse o tal "filtro".

Uma dessas exigências é o lugar fixo de paquera. As mulheres só dão mole ou tomam iniciativa em duas situações:
- Nos ambientes rotineiros onde elas possam conviver e/ou ver os pretendentes de maneira frequente
- Em lugares de festa tipo, bares, boates ou até mesmo em cursos de dança

O motivo disso ainda não está claro. Uns argumentam que elas fazem isso porque não se sentem seguras em paquerar em qualquer lugar. Outros, que a mulher precisa de um clima para desenvolver a atração afetiva. Outras simplesmente por metidice ("na rua só tem mané, só tem homem que não presta")

Estranho lembrar que para muitas mulheres um playboy embriagado é mais confiável para ser namorado/marido que um rapaz tímido sentado em uma biblioteca. Mais uma prova da complexidade feminina que ninguém ainda conseguiu entender e compreender.

De qualquer forma, isso prejudica os homens não interessados nas festas ou que não tenham a oportunidade de conviver diariamente com as mulheres interessantes. 

Mulheres prejudicadas pelas próprias regras que criam

Mas, por incrível que possa parecer, até mesmo as mulheres já começam ser prejudicadas com isso. Com o desinteresse de muitos homens por bares, boates, por verificarem o alto índice de futilidade nesses ambientes, as mulheres passaram a perceber uma redução na frequencia de homens nestes lugares. Como a "ficha ainda não caiu", pensam que está faltando homens. Não está.

Na verdade, os homens deixaram de frequentar esses ambientes. Uma pesquisa feita em uma comunidade de namoro no Orkut mostrou que é enorme o número de homens que evitam este tipo de lugar, muitos inclusive reclamando de bares, boates, etc. E as mulheres , que ainda não escolheram outra alternativa às duas opções citadas, acharam melhor manter o erro e reclamar publicamente da falta de homens, transformando numa espécie de "tradição-estereótipo".

E por essa manutenção dos erros, muita gente fica só, outros muitos se casam com as pessoas erradas e o amor se transforma numa palavra vazia a nomear uma utopia resultante da nossa imaturidade que ainda negamos em combater.

domingo, 16 de abril de 2017

Moralidade de 2000 anos atrás

Aproveito um feriado religioso, principalmente cristão, para fazer esta postagem. Porque ainda as pessoas continuam presas a estórias lindas mas surreais de 2000 anos atrás? Porque ainda recorremos à divindades bíblicas quando queremos tratar de moralidade e de resolução de nossos problemas? Somos incapazes de resolver as coisas com o que temos nos dias de hoje. E olha que temos muito mais recursos do que há 2000 anos atrás.

Gosto muito de comparar essa ania doente de recorrer à Bíblia ou ao Cristianismo para resolver problemas atuais com a iniciativa de resolver problemas do Windows 10 usando o manual de MS-DOS e seus "poderosos" disquetes de apenas 1 MB. Sabe o que é o MS-DOS? Talvez olhando estas imagens você possa se lembrar, ou para os mais novos, conhecer. 

Você resolveria os problemas do Windows 10 usando um manual de décadas atrás, sobre um sistema completamente diferente do atual? Se você não é capaz de fazer isso na informática, porque você insiste e fazer o mesmo com a moralidade? A sociedade de 2000 anos atrás era completamente diferente da nossa. E olha que boa parte dos livros cristãos, incluindo a Bíblia, se baseiam em ficções, o que agrava mais ainda o equívoco. 

Será que para sermos mais altruístas no dia de hoje, temos que entrar em uma máquina do tempo e ir para 2000 anos atrás para obter as respostas? Que loucura! 2000 anos atrás, com aqueles caras com panos no lugar de roupas, falando um vocabulário paupérrimo onde uma palavra só tinha cerca de mil significados (o Aramaico, idioma atribuído a Jesus), com hábitos e costumes completamente diferentes? É isso que queremos para nossas vidas? 

Não é coincidência que cristãos sejam conservadores: eles amam o passado. Gostariam que o mundo atual fosse igual ao passado. O único traço de modernidade que autorizam é o da evolução tecnológica, a das máquinas. O resto, se puder continuar o mesmo de 2000 anos atrás, melhor.

Não é difícil imaginar porque nossos problemas nunca acabam e porque estamos com os mesmos problemas, as mesmas injustiças e o mesmos hábitos mesquinhos que ainda continuamos a manter. Porque não enxergamos a realidade atual. Se algum problema aparece, fugimos deles e recorremos a 2000 anos atras, pedindo para que personagens de obras antigas, sem comprovação de existência real, resolvam por nós.

Não conseguimos nos livrar da mitológica religiosidade que no fundo se tornou nossa principal ilusão, zona de conforto e tipo de narcótico. Temos medo de nos livrar da religiosidade. Em pleno século XXI ainda queremos agir como no século I e isso cada vez mais se mostra nocivo. Queremos agradar seres que sequer sabemos - de forma concreta - que existiram. 

Por convenção social ou por submissão a lideranças, ainda queremos ser cristãos. Queremos que a moralidade seja a de 2000 anos atrás. Uma moralidade que só fazia sentido na época, há cerca de 2000 anos atrás. Queremos para hoje o que não faz mais sentido. 

Sinceramente se continuarmos com a tolice da religiosidade, acreditando em fábulas surreais, seres superpoderosos e um festival de absurdos e contradições, vamos continuar com uma moralidade falha, tosca e incompetente, preferindo respeitar surreais divindades d que respeitar o próximo, pois a menor discordância, é justamente dos cristaos que tem vindo as mais grotescas manifestações de ódio e intolerância contar justamente quem quer se situar no mundo real atual e não no suposto mundo de 2000 anos atrás, que embelezou lindos livros supostamente sagrados.


E aí, vamos insistir na mania de tentar resolver problemas do Windows 10 com manual do MS-DOS?

domingo, 9 de abril de 2017

O "direito" de ser melhor que os outros

O povo brasileiro não tem noções corretas de bondade, heroísmo e exemplo de vida. Trata religiosos, empresários e celebridades como se fossem benfeitores da humanidade e despreza os intelectuais que alertam a população para os erros e problemas corriqueiros e que por causa de nossa inércia, estimulada pela mídia e regras sociais, permanecem intactas e sem previsão de encerramento.

Para muitos, os "heróis" são na verdade pessoas que angariam simpatia por batalharem em prol do interesse próprio, servindo como exemplo de sucesso para a sociedade. São os "heróis de si mesmos": não salvam ninguém, não melhoram a sociedade, mas são os vencedores particulares desse sistema competitivo e e excludente.

Mas porque cultuar alguém ou algo que seja melhor que os outros? Não seria mais justo admirarmos alguém que colabore para que a sociedade seja cada vez mais igualitária? Porque admirarmos alguém que faz justamente o contrário, tomando para si os benefícios que deveriam ser repartidos igualmente entre as pessoas? Porque admirarmos alguém que colabora para que tudo permaneça como está, melhorando apenas através de paliativos que só resolvem por alguns instantes?

Todos querem vencer na vida. Mas parece que para a maioria, vencer, não é ter acesso a uma vida digna e sim, ser melhor que os outros. Aquele que consegue superar a maioria é ovacionado, amado, respeitado e tratado como uma espécie de semi-deus. São os faraós da modernidade, aqueles que ganharão o direito de opinar sobre tudo e tomas as rédeas da sociedade infantilizada, cada vez mais precisando de uma "babá" que lhes diga o que deve ser feito.

Em contrapartida, como eu disse, os intelectuais são desprezados. Estudiosos da sociedade, cientistas, são solenemente ignorados, tratados como "pessoas de mal com a vida", por alertarem sobre todos os erros que duram anos em nossa sociedade e nunca  se acabam. Gente como Noam Chomsky, que alertando sobre as injustiças do Capitalismo, é tratado como uma espécie de "Cassandra de Troia", cujos conselhos foram abafados pela beleza imponente do cavalo de Troia. O Capitalismo sabe muito bem como criar cavalos de Troia para iludir as massas. Em 2018 teremos um grande cavalão a deslumbrar as massas e tirá-las do mundo real.

Toda vez que alguém tenta dar conselhos, mas sem a autoridade da visibilidade que a mídia e as regras sociais garantem, nunca é ouvido e em muitos casos chega a sofrer chacota, pois o fato de não ter visibilidade o transforma em um "Zé Ninguém", alguém que não merece ser ouvido.

Do contrário, pessoas com o excesso de visibilidade, perfeitos formadores de opinião, não defendem mudanças reais para a sociedade, já que muitos deles se beneficiando de tudo isso que está aí, principalmente dos erros e injustiças. Até porque, se alguém tem o "direito" de ser melhor que os outros, é porque existe muita gente em má situação.

Devemos cultuar ideias e não pessoas. Se um fulano se deu bem na vida, parabéns a ele. E ele que se dane! Curta bem os seus privilégios e pare de encher o saco do resto da humanidade, além de tomar conhecimento de que o que lhe foi dado, pode - evai - muito bem ser tirado.

Paremos de cultuar também pessoas que nada fazem para mudar a sociedade, pessoas que se recusam a repartir de maneira igual todos os benefícios ao nosso alcance. "Sangue azul" não existe e tirando os bens materiais, somos todos exemplares de uma mesma espécie, com os mesmos direitos e necessidades.

As pessoas que querem ser melhores que as outras devem ser solenemente ignoradas, para que a auto estima excessiva delas possa murchar e devolvê-las a realidade de que elas sempre vivem fugindo.

Os "grandes líderes da humanidade" nada tem a dizer se nada fazem por melhorias reais de todos, não apenas dos "súditos que o aplaudem.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Intelectualfobia

Pelo jeito, a humanidade atual está incomodada com o peso dessa caixa arrendondada e enrugada que colocaram dentro de nossas cabeças. Nunca em outra época houve tanta aversão e até raiva de coisas intelectuais como se há hoje. Para muitos, o cérebro só serve para que satisfaçamos interesses alheios durante o emprego e/ou o estudo. Mas tendo o nosso tempo livre, devemos aposentar o cérebro e "curtir a vida" De preferência da forma mais imbecil possível, mas sem se assumir como imbecil.

E o pior que não é só desprezo, é raiva mesmo. As pessoas contraíram uma aversão mórbida e odiosa a tudo que é intelectual. Desde a música passando pela religiosidade, chegando a convicções políticas, todos preferem acreditar naquilo que é dito ou pela maioria ou por indivíduos prestigiados ou instituições consagradas do que pensar e verificar se o que é dito está certo ou não. Como pensar, questionar e verificar exigem esforço, prefere-se usar a "fé", tida como "maior qualidade" do ser humano no Brasil.

Só que se esquecem que não existe ser humano infalível. Instituições são controladas por seres humanos, logo não existem instituições infalíveis. Acreditar que há pessoas que nunca erram é uma idiotice que só tem rendido estragos na sociedade toda, resultando num Brasil decadente como vemos hoje. Isso em pleno século XXI, onde místicos e futurólogos sempre acreditavam que teríamos grandes avanços, hoje privilégio exclusivo das maquinas.

A raiva da intelectualidade é tanta que qualquer um que opte por algum referencial intelectualizante é criticado. Nos momentos de liberdade, ter o pseudo-direito de não pensar (imposto pela mídia, pela religião e pelas regras sociais) é que se torna a meta de qualquer um.

O ódio a intelectualidade se estende aos intelectuais. Conhecedores dos bastidores de vários setores da humanidade e por isso, cientes dos motivos que levam aos erros que tanto nos geram ops danos cotidianos, infelizmente são ignorados pelas grandes massas, que preferem ouvir conselhos de esportistas e celebridades que nada tem a dizer e que muitas vezes, se beneficiam com os mesmo erros que nos são tão danosos.

A alienação coletiva da sociedade brasileira não é considerada um dano

Claro que para a maioria da população, não há uma defesa do emburrecimento. Além do fato de que ninguém gosta de assumir publicamente os seus defeitos, sabe-se que todo ignorante se acha suficientemente inteligente, já que ele não consegue enxergar algo além de seus limites, pensando saber tudo. Tudo que chega ao seu alcance é tudo que existe para ele. Para quem pensa assim, não é a sociedade que é burra, são os intelectuais que "sabem em excesso". Pensamento típico de quem não quer aprender.

Por isso, a alienação não é considerada um mal, simplesmente porque ela não existe para os alienados. Basta saber o modismo do momento ou o que dá nos telejornais para ficar "antenado", gíria que os ignorantes usam para dizer que estão "bem informados". Mas não estão, já que modismos são fúteis e telejornais nem sempre falam a verdade, falando do ponto de vista de quem produz as notícias.

Lazer é para curtir, não para pensar

A confusão que as pessoas fazer entre "trabalho" e "emprego" e "tempo livre" e "ócio" é o grande responsável por essa aversão a intelectualidade. Para muitos, tempo livre não é para pensar e sim para curtir. O que é um erro, pois dá para fazer atividades produtivas durante o tempo livre, o que prova que trabalho (qualquer atividade que produza algo) não é sinônimo de emprego (atividade remunerada feita para satisfazer interesse alheio).

Baseado nessa ideia de que "trabalho" é "emprego", por incrível que pareça, é que a nossa carga horária de emprego é tão alta. Talvez seja proposital, para que as pessoas fiquem cansadas e não pensem quando chegarem ao seu tempo livre, o único que tem disponível para se dedicarem a si mesmos, já que no emprego trabalham para satisfazer patrões e clientela.

Claro que nestas condições, chagam toda tarde de sexta disposto a encher a cara (a famosa happy hour que de "happy" não tem nada) já para derrubar o cérebro através da morte de vários neurônios, já na UTI. E olha que tem muita gente que espera algum avanço social vindo de algum desses bebuns.

É um grande desperdício do tempo livre, já que supostamente temos o direito de fazer o que quisermos quando não estamos no cansativo emprego. Mas estamos tão acostumados a obedecer sem contestar, por medo de ficarmos sem sustento, que acabamos também por querer ser obedientes também na hora de lazer. Se não temos patrão para nos ditar ordens, temos mídia, amigos e líderes religiosos para tomar as nossas rédeas. E é finalmente jogada no lixo a única oportunidade de crescimento pessoal que temos e que o emprego nem sempre é capaz de nos dar.

Não esperemos algum avanço social num cenário desses. Se alguém não mudar sua conduta, nada mudará. Injustiças, problemas e preconceitos continuarão mantidos intactos. Como tem sido há muitos anos, sobretudo neste início do século que pensávamos ser melhor que os outros, mas está sendo gradativamente pior.

terça-feira, 28 de março de 2017

A direita precisa assumir que é paranoica e sádica

Definitivamente não dá para dialogar com direitistas. Aliás, nem dá para aceitar os direitistas. Defensores convictos de um mundo individualista, onde só pode se vencer sofrendo (ou roubando), com valores retrógrados do tempo em que se ia para a praia de pijama, os direitistas não cansam de mostrar que lógica, bom senso e altruísmo não é com eles.

Observando as declarações dos direitistas, nota-se a ausência total da sensatez. Quase todos se limitam a xingar os esquerdistas, sem mostrar qualquer tipo de argumento logico e convincente, apenas repetindo bordões e clichês e  defendendo as tolices que pelo menos servem para proteger seus interesses individuais.

Mesmo nas declarações aparentemente ponderadas, as ideias defendidas por eles são contraditórias e não raramente há a ginástica intelectual em tentar provar que o sofrimento é bom para alcançar o bem estar. Isso porque eles confundem tortura com desafio, coisas que direitistas tem dificuldade em diferenciar. Pelo menos para os outros, já que sadismo é frequente em declarações direitistas.

Há o costume frequente de acusar os outros daquilo que os direitistas cometem. É comum ver direitistas acusarem a esquerda de ser sádica e genocida quando a História comprova na prática que o Capitalismo matou e ainda mata mais gente do que a quantidade de mortos sob a suposta responsabilidade da esquerda. 

Lógica nunca foi a especialidade da direita, que acredita que a inteligência não está no cérebro e sim no diploma que carregam. Esquecem que a vida acadêmica nas faculdades não raramente é uma enganação e que a verdadeira sabedoria vem de experiências que nunca se pode ter nas salas de aula. 

Por acreditarem que somente a formação universitária garante a inteligência, direitistas se mantem na ignorância, pois acham que portar diploma em si já os fazem sábios, e portando "melhores" que os outros. Trocando em miúdos: "pensar para quê, se o diploma já pensa por mim?", dirá qualquer direitista.

É grave sermos comandados por gente gananciosa, ignorante e sádica. Mais ainda se ela for paranoica, com uma ideia fixa em um problema irreal, como uma criança que tem medo do Bicho Papão que supostamente mora embaixo de sua cama.

A paranoia é um transtorno onde uma pessoa cria um pavor intenso por um perigo que não existe. Vendo os vídeos criados por direitistas no YouTube, a manifestação de paranoia é frequente. Para a direita, quem não é direitista ou trai os direitistas é um perigo que deve ser eliminado a todo custo. Isso explica o sadismo também presente no pensamento de direita.

A paranoia presente nos direitistas é compreensível. Cientes de que o individualismo que defendem é nocivo e reprovável, além de quererem para si os bens que deveria estar em mãos alheias, tem um medo não assumido de perder bens ou de serem punidos por defenderem uma certa crueldade contra aqueles com quem eles não se afinam. Por isso agem com paranoia, como se um dia o erro que eles cometem em desejar o prejuízo alheio pudesse ser descoberto.

Os direitistas deveriam refletir muito sobre o mundo em que vivem. Mas antes deveriam assumir a sua paranoia e tentar curar o seu sadismo. Caso contrário, é melhor se isolarem em algum castelo bem distante em uma floresta na Europa. Quem vive na coletividade deve pensar coletivamente. E é por isso que as ideias de direita não valem mais para os dias de hoje, que exigem cada vez mais pessoas racionais e altruístas.

sexta-feira, 24 de março de 2017

O segredo que nenhum homem se atreve a revelar

Um dos maiores mistérios da humanidade com certeza é como conquistar as mulheres. Boa parte dos homens consegue, mas como consegue, não se sabe. Talvez o medo de favorecer a concorrência ou a perda das mulheres que conquistaram para os outros, leva a muitos homens a não revelarem o verdadeiro segredo da conquista feminina, um segredo guardado a mil chaves, cadeados e pesadas portas de chumbo.

E não adianta nem ameaçar algum homem de morte para obter o tal segredo, pois ao invés de revelar o segredo, o cara vai mesmo é chamar a polícia e mandar te prender para , possivelmente, você virar "mulher" de bandido.

Claro que, cumprindo o mito machista de que todo homem é amigo (mito em que não consigo acreditar), os bem sucedidos não vão recusar a ajuda de homens tímidos e "incapazes", que não tiveram a sorte ou os requisitos mínimos para satisfazer as cada vez mais exigentes donzelas que encontramos por aí.

Para ao mesmo tempo parecer simpáticos aos outros homens e eliminar os "incapazes" da concorrência, os homens bem sucedidos afetivamente se limitam a dar conselhos vagos, na prática reiterando o que já se sabe pelas rígidas regras sociais. Coisas apenas para dizer para todo mundo que "ajudaram" os outros. Típico de um autêntico amigo da onça.

Mas esses conselhos na prática soam bastante inúteis, já que além de não oferecer detalhes e esclarecer dúvidas (na verdade até aumentam ainda mais), nada favorecem os homens que tem dificuldade de conquista a flechar os corações de suas desejadas. E tudo fica na mesma.

Mas não dava para ser menos cruéis e mais detalhistas na hora de dar os conselhos? Ou que o sistema coloque as mulheres para ensinar os homens a conquistá-las. As mulheres é que deveriam ser as professoras de conquista, já que elas é que sabem como querem ser conquistadas. 

Os conselhos dados por um homem, mais preocupado em eliminar a concorrência e se dar bem as custas do fracasso alheio, serão apenas um tiro na culatra a piorar as coisas ou na melhor das hipóteses, deixar tudo como sempre esteve.

quarta-feira, 8 de março de 2017

As feministas precisam provar que não cometem misandria

Eu não sou machista. Como altruísta que sou, tenho que respeitar todos os seres humanos e defender seus interesses quando não prejudicam o dos outros. As mulheres são, acima de tudo seres humanos e merecem todo o respeito às suas condições dignas de vida.

Mas não vejo com bons olhos o Movimento Feminista. Apoio o feminismo em si, mas o feminismo que incentiva as mulheres a lutarem pela dignidade e por seus direitos. Mas noto um quê de misandria enrustida, não no Feminismo em si, mas no Movimento Feminista posto em prática por muitas mulheres nos últimos anos.

Muitas mulheres entenderam que antes de lutar pelos seus direitos, é preciso chutar os homens, tirá-los do caminho. O curioso que os homens que se dão mal com a misandria não são os machistas, o que seria até justo. Justamente os não-machistas é que se ferram neste cabo de guerra entre feministas misândricas e machistas misóginos. Os homens não-machistas viraram um saco de pancadas tanto para feministas (porque são machos) quanto para os machistas (não são machos o suficiente).

Dizem as feministas que o movimento pretende ser igualitário, quase um sinônimo de "humanitarismo". Mas não é bem o que se vê na prática, pois os homens são tratados frequentemente como vilões e os defeitos tradicionalmente cometidos por homens com falha de caráter são confundidos como se fizessem parte da masculinidade.

Um site feminista que gosto muito, está pecando por confundir machismo com masculinismo. O machismo é a suposta superioridade do homem sobre as mulheres e deve ser reprovado sem qualquer tipo de contestação. 

O masculinismo é uma resposta à misandria, uma contestação dos abusos cometidos pelas mulheres contra os homens, incluindo a recusa do estereótipo masculino do "protetor/provedor" ainda muito forte na sociedade atual e critério básico usado pelas mulheres na escolha de um namorado ou marido. O masculinismo nada tem a ver com machismo e os masculinistas também pregam a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

O que as feministas devem saber é que os homens não-machistas também são vítimas do machismo. Somos ridicularizados por não sermos "machões" como os outros homens e é comum perdermos direitos por isso. O próprio fato de não sermos machistas já serve como motivo para sermos discriminados diante dos outros homens.

Se as mulheres acham que o seu feminismo é humanitário, deveriam defender também os homens que não são machistas. Para de exigir que cumpramos as funções de protetor/provedor, pois muitos de nos não são tão ricos nem tão fortes/altos para cumprir de forma plena esta função.

Compreendo e apoio a luta das mulheres por seus direitos. Mas devemos focar mais na humanidade com um todo, sem abrir espaço a misandria. Maltratar as mulheres não faz parte da masculinidade. Somente canalhas maltratam as mulheres. E cá para nós, canalhas não são suficientemente machos para ser vistos como homens...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Porque pessoas diferentes são consideradas "loucas"?

Dizem os biólogos que seguir a maioria é uma estratégia de sobrevivência. Além do fato de que a união faz a força, há benefícios que dependem de decisões alheias (como namoro e emprego) e a adequação a regras impostas pela sociedade favorecem a aquisição destes benefícios. 

Por isso que muita gente faz coisas de validade duvidosa quando elas são praticadas pela maioria. O importante não é fazer estas coisas, mas favorecer um bom contato com os outros, para aquisição de direitos e garantia da sobrevivência humana.

Mas a racionalidade humana faz com que certos indivíduos se recusem a fazer certas coisas, por discordar delas. Frequentemente, estas pessoas são rotuladas de loucas, provocado o afastamento de outras pessoas que enxergam a recusa de obediência a padrões como uma ameaça. Porque isto ocorre? Temos uma explicação para isso.

A primeira coisa a ser lembrada é o conceito de "tá no sangue" para algo que é praticado ou seguido pela maioria das pessoas. O fato de algo ter uma adesão maciça de pessoas dá uma ilusão de algo biológico, instintivo, pré-programado no cérebro das pessoas. Fica a impressão que uma atitude extremamente popular faz parte da essência humana e sinaliza que "o cérebro está funcionando direito". A adequação a padrões ainda é estigmatizada como normalidade cerebral.

Como a adequação a padrões é considerado como sinal de normalidade, pessoas que se recusam a aderir a padrões de ideias, gostos e atitudes automaticamente despertam suspeitas de loucura, dificultando a interação social, criando um círculo vicioso que pode prejudicar quem não está socialmente inserido.

Talvez seja até este medo em ser confundido como "louco" que faz com que muita gente faça coisas que não goste de fazer, mas que são altamente populares, para agradar aos outros e se sentir incluído socialmente.

Mas é realmente por causa da ilusão de que seguir padrões é sinal de normalidade cerebral que pessoas diferenciadas são tidas como aberrações ou portadores de loucuras. Mas basta a humanidade se informar mais e descobrir que, pelo contrário, abir mão de padrões é sinal de maior racionalidade e de manifestação de individualidade, para que este preconceito desapareça e a diversidade de gostos, ideias e costumes seja respeitada.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

"Homens de bem" são bandidos e devem ser tratados como tais

Agressões nunca são o melhor caminho para resolver divergências. E quem agride não está a fim de conversar e não raramente isso serve de comprovação da ignorância do agressor, que geralmente não possui argumentos lógicos para justificar o pensamento que está sendo questionado pelo lado agredido. Mas de qualquer forma, agressores sempre são nocivos, e devem ser tratados como algo nocivo.

Nem vem com esta desculpa de que estão "defendendo a honra" ou o que quer que seja. Quem não sabe dialogar deve ficar calado e procurar se informar para criar uma justificativa racional que possa ser exposta em uma conversa madura e sadia. Agredir, mesmo sob a desculpa esfarrapada da "defesa" nunca é um caminho aceitável e atenta contra a dignidade humana. E pela lei, quem atenta contra a dignidade humana merece punição.

Não param casos de membros da pseudo-elite desejando mal e até mesmo a morte de esquerdistas e de pessoas que não correspondam ao perfil que lhes agrada (em geral o perfil branco-cristão-hétero-capitalista). Um novo tipo de crime de colarinho branco que nasce do preconceito e da ganância de nossas classes média e alta, muito mal educadas por pais negligentes e escolas direcionadas apenas a formar mentes para o mercado de trabalho.

Além de um neurocirurgião, um procurador e um deputado, vomitaram seu nojo pelas pessoas que não corresponderam as suas expectativas. O tal neuro-cirurgião chegou a sugerir a interrupção do procedimento para que "o capeta abraçasse Dona Marisa", desejando a morte dela. Mal sabe o neuro-cirurgião que gente como ele que o capeta gosta de abraçar.

Isso acontece porque os membros das pseudo-elites se sentem livres no governo de direita para poderem exalar seus preconceitos na tentativa de proteger de forma agressiva os privilégios que possuem, impedindo que os mais necessitados - tratados pela pseudo-elite como "sub-humanos" - possam ter acesso a eles.

Mas noto que o sistema está muito bonzinho com estes moralistas sem moral. Quem prejudica os outros intencionalmente, deve ser tratado como bandido e responder como bandido, sendo punido de acordo com os termos da lei. 

Essa noção de impunidade que a sociedade dá aos "Homens de Bem" é que permite que estas pessoas sem alma nem piedade ajam desta forma, provavelmente sonhando em um mundo onde somente eles existam, para que os bens fiquem apenas nas mãos destes. É a ganância convertida em sadismo, uma prova incontestável de que a humanidade está ainda em seu estado primitivo. 

Os exotéricos que pensavam que chegaríamos numa nova era erraram os cálculos. Ainda estamos nos tempos das barbáries e tão cedo não sairemos dela.

domingo, 29 de janeiro de 2017

A onda de ódio e a dificuldade nas relações humanas

Existe um ditado que diz que "o homem é o lobo do homem". Nunca isso fez tão sentido como agora. Graças a má qualidade de nossa educação, a pais irresponsáveis que fazem filho sem saber como criá-los e a submissão a mídia sobretudo a televisiva, causaram um estrago gigantesco na personalidade de mais de 85% dos brasileiros e o resultado dessa negligência educacional aparece nesta onda de ódio burro que vemos hoje em dia.

Curioso que estamos em pleno século XXI, em que os futuristas do passado, quase com unanimidade, previam ser uma era de muitos avanços sobretudo humanos. Estaríamos mais inteligentes e altruístas. Só que a onda de ódio não somente soterrou este mito de evolução como também mostrou que somos exatamente os mesmos do final do século XIX. Ou seja, os avanços do século XX não nos serviram para nada. Teremos que aprender tudo de novo.

E não pense que esta onda de ódio se limita a preconceitos direitistas contra a esquerda e contra classes oprimidas. A onda de ódio está até em alguns supostamente progressistas. Gente que bate no peito "eu amo a humanidade" desejando também a eliminação de outras pessoas, ao invés de estabelecer um diálogo. Até porque somente indivíduos inteligentes estão dispostos ao diálogo.

Feministas se tornaram misândricas e toleram os homens apenas quando eles lhes dão dinheiro e proteção. Tratam os homens como se fossem todos estupradores. Impõem regras de convívio, incluindo as paqueras, de uma forma que apenas os homens que justamente não correspondem ao nocivo perfil machista, paguem pelos erros (dos outros). Os machistas continuam impunes.

Sites de diversos tipos agem com truculência quando termos são violados, mesmo que por um simples mal entendido (como aconteceu comigo, que estou com IP bloqueado, sem saber como desbloquear). Algo que seria fácil de resolver com uma simples troca de emails (eles sabem minha conta), onde os motivos seriam expostos, equívocos explicados e surgiria uma oportunidade de negociação favorável para ambos os lados.

Mas o ser humano prefere resolver tudo na porrada, na punição alheia. Perdemos a capacidade de nos imaginar no lugar do outro, preferindo fazer com nossos adversários justamente o que não gostaríamos que fizessem conosco. Ficam naquela de "não vai acontecer comigo", como se os do "lado do bem" fossem perfeitos, sem imaginar que a punição desejada ao outro, pode se virar contra quem se acha perfeito e invencível.

Mas esta onda de ódio tem um lado bom, por incrível que pareça. Levará o ser humano a cometer barbáries tão nocivas que a opinião pública ficará incomodada de tantos atos perversos cometidos em suposta defesa da honra e voltará a ser vergonhoso o costume de desejar mal ao outro ou punir de forma precipitada sem ao menos entender o que está s passando.

De qualquer forma, retomamos os instintos animais, incluindo ao de nos defendermos de forma agressiva e precipitada. Será que teremos que voltar ao começo e aprendermos novamente o que significa sermos humanos?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Conceito de Bondade: altruísmo ou moralismo?

Nesta onda de neo-conservadorismo surgida da ganancioso desespero das elites pela crise capitalista, parece que se perdeu a noção de bondade. Ou pelo menos ela mudou para retornar a um conceito vigente em tempos mais antigos, quando nossas avós tinham pele lisinha.

Nos últimos tempos, havia-se tentado definir um conceito de bondade que tivesse a ver com o altruísmo, com o respeito ao próximo e o desejo de bem estar a maioria das pessoas. É este o conceito de bondade que eu defendo. Cresci acreditando que ser bom é permitir que outras pessoas vivam da melhor maneira, em paz e com as suas necessidades essenciais respeitadas.

Mas com o conservadorismo em voga, o conceito de bondade voltou ao sentido antigo, que tem muito menos a ver com altruísmo e mais com o moralismo, a defesa da chamada "moral e bons costumes", com base em critérios relacionados com religiosidade, disciplina militar e direito à propriedade. 

Não raramente este conceito conservador de "bondade" entra em choque com o altruísmo, pois para conservadores, quem não corresponde as expectativas dos conservadores é automaticamente transformado em vilão e com base nesta acusação, deve ser eliminado da sociedade, ou através de prisão ou pela morte. Algo que pode ser entendido ou como vingança ou mero sadismo.

A bondade conservadora, quando tenta ser altruísta, é sempre limitada a caridade paliativa, que é a que vemos sendo praticadas em instituições de caridade ou em campanhas em datas como o natal. São ajudar momentâneas que não tiram excluídos dos seus problemas, servindo mais de compensação ou consolo para a preservação de um problema que não e do interesse de conservadores combater.

Mas no geral, o conceito conservador de bondade nada tem a ver com altruísmo. Por isso que não é estranho ver pessoas se auto-rotulando "homens de bem" desejando mal ao próximo. Para eles só merece ser feliz quem corresponde a estereótipos esperados e obedece as regras subjetivas e nem sempre justas impostas pelo mais retrógrado moralismo. 

Parece que atender a estereótipos é muito mais importante do que garantir bem estar e convívio harmônico em toda a sociedade.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A retomada da barbárie

Estou completamente pasmo com o que vem acontecendo nos últimos anos. Pasmo e triste. Eu sou humanista. Cresci acreditando que a humanidade se evoluiria e chegaria no século XXI disposta a amar mais, se solidarizar mais. Utopia, pois acontece o oposto. 

Estamos nos desaprendendo a amar. O ódio brutal passou a ser justificado como "defesa" seja lá do que for. Pessoas com raiva babando e sadismo na flor da pele se auto-rotulam "de bem" desejando mal ao próximo, enxergado como "ameaça" só porque discorda do ponto de vista do odioso.

Esta onda de ódio cresce a ponto de pessoas de direita - sim, só a direita fornece o "embasamento teórico" para um pensamento tão odioso -  se transformarem em verdadeiros animai selvagens na forma humana. Hoje se deve muito bem medir palavras e omitir pontos polêmicos em conversas com outras pessoas, sob o risco de ser linchado ou até morto.

Os extremistas de direita viraram uma nova forma de bandidagem. Sim, são bandidos, longe do estereótipo, mas com a mesma intenção de prejuízo alheio que os marginais xingados nos telejornais mais policialescos. Não adianta se auto-rotularem "homens de bem" bradando falsas lições de moralidade se desejam que o outro se ferre. Extremistas de direita são bandidos e merecem ser vistos como tais.

Mas não reajamos com violência. Bandidos merecem pena. Odiosos merecem pena. Não baixemos ao nível rasteiro deles, perpetuando a luta garo-e-rato até não acabar mais. as leis devem ser severas com os extremistas de direita, que por enquanto agem tranquilos na impunidade, zombando da justiça, achando que esta é um a propriedade privada dos direitistas.

Enquanto a lei não tomar alguma atitude para coibir este extremismo de direita, tempos difíceis se instalam irresponsavelmente. Temos que tomar muito cuidado, pois as bestas feras, ignorantes e sedentas de ódio, além de prontas para o ataque mais danoso, podem estar do nosso lado, sorrindo, em um ambiente aparentemente acolhedor.

sábado, 24 de dezembro de 2016

A hipocrisia santa de todo Natal

A polarização política que surgiu nos últimos anos serviu como comprovação de que a sociedade está cada vez mais egoísta, arrivista e gananciosa, do contrário do que deveria ser. Estamos atrasados como seres humanos e não estamos somente ficando mais burros como também ficando mais insensíveis. Infelizmente, a humanidade fracassou e está perdida. 

Na verdade, o Natal sempre serviu mais como um falso atestado de bondade da sociedade capitalista. Através da caridade paliativa, aquela que consola mas não traz dignidade, muitas pessoas acreditam estar sendo bondosas, de forma interesseira, por acreditar que um gigante invisível que eles chamam de "Deus" irá os recompensar. 

A caridade praticada pelas grande maioria das pessoas ignora a real necessidade dos excluídos, para que serve a ação praticada, e desprezam mais ainda como esta caridade deve ser feita para tirar um excluído de seu problema, que certamente nunca é resolvido. Todo tipo de ajuda é limitada a doação de objetos e palavras incapazes de tirar os mais carentes de sua condição indigna.

O que me revolta é que este tipo de ajuda se tornou um padrão. É a única praticada e há quem acredite mudar o mundo com esta caridade paliativa. Dá-se uma sopinha e um cobertor velho para um morador de rua e está resolvido? Vejam, lá está ele de volta a rua numa calçada suja, sem abrigo e desprezado por uma multidão que vive a se afastar do pobre coitado.

Para piorar, há o lado ruim deste tipo de caridade. Não raramente os excluídos são tratados como depósitos de lixo, pois normalmente recebem como ajuda objetos que não tem serventia para quem doa. Sem esquecer de alguns casos onde a caridade é usada como moeda de troca chantagem, exibicionismo e até manipulação ideológica. Não são raras as ONGs e instituições de caridade que praticam lavagem cerebral em seus auxiliados. Infelizmente isto é real e frequente.

Bondade + ganancia = hipocrisia

No geral, vemos nesta época do ano pessoas se fingindo de bondosas quando as mesmas agem de forma bem egoísta e não raramente gananciosa no resto do ano. E no Brasil temeroso, onde decisões de um grupo de golpistas gananciosos devem eliminar direitos e agravar crises e desigualdades, a luta pelo pouco benefício deve aumentar ainda mais o nosso egoísmo. 

A convulsão social deve se converter em uma não-declarada guerra civil. Vamos ter que brigar pelo pouco que será oferecido. Multidões morrerão por causa de direitos cancelados. Ricos, alvos constantes dos ódios das classes oprimidas (ódio que infelizmente é recíproco) serão constantemente ameaçados por se recusarem a repartir seus excessivos supérfluos. O país como um todo retornando a sua condição de sub-desenvolvimento com sérios riscos de se tornar um Haiti mais pomposo.

É este cenário triste que está sendo preparado para todos nós. Os que apoiam estas decisões equivocadas que estão sendo tomadas pelos golpistas que tirem sua máscara de bondade pois estão contribuindo de alguma forma pelo mal estar de muitas pessoas. E não será uma sopinha aguada, um casaco rasgado e uma reles canção natalina que resolverão esta desgraça.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Eles não saírão para as ruas por você


Amanhã, 04 de dezembro de 2016, vários supostos movimentos sociais sairão as ruas para supostamente lutar por um Brasil melhor. Esta é a informação oficial segundo as grandes mídias que espalham as notícias por meios como rádios, jornais, revistas e principalmente televisão. 

Mas quem se informar melhor e saber quis movimentos estão organizando as passeatas do dia 04/12, irá se decepcionar. Será uma manifestação de movimentos direitistas, organizados por instituições que representam os interesses das classes dominantes do país. Há inclusive participação de grupos fascistas entre os organizadores. Nenhum dos movimentos realmente sociais, que representam a parte excluída do povo participará do evento de amanhã.

São movimentos formados pelos grupos que lideram a economia do país, pessoas ricas e os não-ricos que as apoiam. São pessoas interessadas em preservar privilégios e manter as estruturas do poder (de todos os tipos, exceto o político, que sejam ver alterado) para que a renda continue concentrada e o país continue submisso aos EUA.

Grupos que defendem valores retrógrados, incluindo o moralismo cristão-medieval, estarão nos protestos contra os avanços sociais. Muitos que ingenuamente torcem pela intervenção militar (eufemismo para "retorno da ditadura militar") estarão em massa nos protestos de amanhã. Todos em nome apenas de suas classes e grupos particulares e dos "heróis" que os defendem. 

A justificativa do desejo de um Brasil melhor é papo furado feito para atrair apoio popular. Os grupos que sairão amanhã não oferecem propostas a não ser as que prejudique os grupos que eles considerem seus opositores. Vamos ficar atentos e perceber que direitistas nunca foram humanistas e desconhecem os bastidores da política, pensando que a prisão de um grupo de corruptos vai acabar com a corrupção. 

Errado! Corrupção se combate alterando bruscamente as estruturas, sobretudo as econômicas e sociais, algo que passa bem longe dos anseios dos manifestantes de amanhã, desejosos pelo golpe que arrasa o país. Corrupção se combate com responsabilidade ética e abnegação e não com justiça arbitrária, agressividade e histeria moralista.

Se você ama o país e os seres humanos, não leve gato por lebre. Os protestos de 04/12/2016 não são legítimos. São integrantes de grupos conservadores interessados apenas em defender interesses particulares. Justificativas nobres são apenas isca para tentar aumentar a quantidade de manifestantes. 

Os que sairão amanhã não estão interessados em um Brasil melhor. Eles querem um Brasil para os mais ricos, que eles pensam ser os "vencedores pela guerra sadia pela sobrevivência". Quem não for rico que se vire para ser e com isso ter permissão para exigir dignidade e direitos essenciais. É este o Brasil que estará sendo reivindicado amanhã. Um Brasil para poucos.

Tempos difíceis estarão por vir para os brasileiros. Se tudo fracassar no Brasil, simples: os manifestantes de amanhã raspam suas gordas contas bancárias e se mandam para Miami ou algum resort distante. Eles tem meios para isso.

domingo, 20 de novembro de 2016

Lauren Jaregui surpreende com texto sensível e sensato sobre o mundo atual

ESPREMENDO A LARANJA: A música do grupo vocal Fifth Harmony soa fútil, ruim e serve mais como fundo musical para as coreografias sensuais do grupo, formado por belas jovens mulheres. Mas isso é compreensível, pois o som do grupo é direcionado ao público adolescente e as garotas precisam ganhar dinheiro para garantir o padrão de vida que possuem. 

Mas surpreende que um dos textos mais maduros que eu já li em minha vida tenha vindo de uma integrante de um grupo assim. Lauren Jaregui, (que empata com a Normani Kordei na posição de mais linda do grupo na minha opinião) decidiu aproveitar a oportunidade de assumir sua tao comentada bissexualidade para fazer um sincero desabafo, direcionado a América (todo o continente) que estará nas mãos de um homem retrógrado de ideias idem, Donald Trump.

Jaregui surpreendeu a todos pela impressionante maturidade e consciência crítica, provando que o fato de integrar um grupo musical sem pretensões culturais não significa que como ser humano deixe a desejar. Pelo contrário. Fiquei impressionando como uma mulher tão linda como Jaregui demonstrasse um interior ainda mais belo, unindo sensibilidade e inteligência para nos trazer, através de surpreendente sabedoria, uma grande lição de vida.

Estou feliz com Laren Jaregui e aprendi muito com o texto escrito. A maior lição de vida que eu aprendi é que, mesmo em um grupo musical sem importância cultural, feito apenas para se divertir, Lauren não se desviou da realidade, como seria de se esperar. 

Quietinha, sem ninguém perceber, ela observava o mundo ao redor, usando sua mente produtiva para tetar encontrar uma solução para tudo que está errado no mundo real. Solução que veio através de um sensível e longo texto que merece ser lido por qualquer pessoa, com bastante atenção. Um longo texto, mas conciso, direto, que não enrola, falando a todos apenas o que deve ser dito.

Parabéns, linda Lauren Jaregui. Eu que admirava como mulher linda, passei a te admirar como ser humano. Você alimentou meu cérebro e ganhou meu coração!

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso

Lauren Jaregui, para a Billboard - Tradução: site Sou Betina

A todos que apoiam Trump que tentam dizer que votar nele não significa que sejam racistas, homofóbicos, sexistas, xenófobos, idiotas… que vocês apenas gostam de como ele não se importava com o que as pessoas pensavam e apenas dizia o que queria… que ele não era um político, então ele não fazia parte da ordem política estabelecida e não tinha dinheiro corrupto o apoiando… isto é para vocês: Suas palavras são inúteis, porque suas ações levaram à destruição de todo o progresso que fizemos socialmente como nação. Com ignorância e se recusando a entender o jeito que o governo e o mundo funciona, vocês permitiram que um magnata dos negócios com fome de poder comandasse os Estados Unidos da América. ‘A terra dos livres, o lar do corajosos, sob Deus, indivisível, com Liberdade e Justiça para TODOS’. Vocês são HIPÓCRITAS.

Restaurar a América ao que era antes é apenas estagnar o progresso das nossas consciências. Vocês votaram em uma pessoa que construiu uma campanha de 18 meses baseada no ódio. Ele manipulou todos vocês com tanta facilidade ao falar com suas partes mais obscuras que começaram a se sentir envergonhadas pela maneira como encaravam o mundo ‘politicamente correto’. Ele se tornou o campeão de vocês porque falou com as partes que pensam que vocês são superiores ao resto de nós (como Hitler fez na Alemanha antes do Holocausto! Basta ler sua autobiografia: ‘Mein Kampf’). Este mundo politicamente correto que nós criamos, que é na verdade apenas um mundo com etiqueta social, no qual temos eliminado a linguagem do racismo e explicado o porquê disso, onde estabelecemos o feminismo como uma noção crescente de fazer as mulheres perceberem o seu valor e o mesmo direito a serem tratadas como os seres complexos que são os homens (e isso claramente precisa de muito trabalho considerando como as mulheres em toda a América, especialmente as mulheres brancas, votaram por este homem que insultou sua própria existência cada vez que ele abriu a boca ou desrespeitou Hillary durante sua campanha), onde tivemos de criar inúmeros rótulos para ajudar as pessoas queer — que não se encaixavam no molde cis heterossexual — a se sentirem válidas e reconhecidas em um mundo onde o pensamento fechado fez com que elas se sentissem invisíveis por tanto tempo. Esse é o comportamento ‘politicamente correto’ do qual você quer se livrar? Você quer fazer com que a América se torne um mundo onde os seres humanos ao seu redor sentem medo de serem eles mesmos e viverem e amarem livremente?

Além disso ser muito egoísta, também não é nada parecido com Cristo, porque o seu Deus está vendo isso e Ele conhece seus corações e Ele está ciente da verdadeira razão pela qual você escolheu esse humano para comandar o país mais poderoso do mundo, e eu prometo que o Deus que eu conheço e amo não tolera julgamento e ódio. E eu sei disso, porque eu fui criada como católica em uma casa latina e estudei numa escola particular católica durante toda a minha vida, então eu estudei a religião ou a Bíblia mais do que a maioria de vocês estudaram. A única razão é a incapacidade de vocês aceitarem o mundo crescente ao seu redor. Vocês escolheram o ódio. Seus corações escolheram se separar como pessoas superiores, quando o único ser superior neste universo inteiro é muito maior do que vocês. Nosso ‘politicamente correto’ que seu vencedor, Donald Trump, tão descaradamente ignorou durante toda a sua campanha e agora com a nomeação de seus conselheiros e outros funcionários do governo, é a linguagem que temos trabalhado incansavelmente para nos sentirmos seguros em um mundo que nunca para de nos lembrar que somos minorias.

Eu sou uma mulher bissexual cubana-americana e tenho muito orgulho disso.

Tenho orgulho de ser parte de uma comunidade que tem projetos de amor e educação e de apoio uns aos outros. Tenho orgulho de ser a neta e filha de imigrantes que foram corajosos o suficiente para deixarem suas casas e chegarem a um mundo totalmente novo, com uma língua e cultura diferentes e mergulharem sem medo para começarem uma vida melhor para si e suas famílias.

Tenho orgulho de ser uma mulher. Orgulho do sexo entre minhas pernas que fornece uma força e resistência em mim que só outras mulheres podem sentir, que o meu corpo tem curvas que me permitem criar vida dentro de mim, que toda a minha vida está repleta de adversidade e dúvida e pessoas questionando a minha inteligência e meu potencial artístico e minha própria expressão e minha virtude e honra porque sou mulher demais. Tenho orgulho de provar que estão errados. Tenho orgulho de ter que trabalhar ainda mais para isso. Eu fui criada para sentir que eu posso fazer QUALQUER COISA, e eu sempre vou acreditar nisso. Tenho orgulho de sentir todo o espectro de meus sentimentos e aceitarei com prazer o rótulo de “cadela” e “problemática” por falar o que penso da mesma maneira que qualquer homem seria admirado e respeitado por fazer igual. Mas, também estenderei a mão cheia de compaixão e empatia para qualquer pessoa me rotulando. Também sei que na minha luta por ser mulher, sou muito privilegiada. Eu nasci com uma pele mais clara e olhos verdes (graças à genética), então nessa perspectiva de mente fechada, eu sou branca. Eu vivenciei o privilégio que esses genes me deram, e eu sou grata e continuarei a falar em nome das mulheres em todo o mundo e de nosso próprio país que não vivenciam uma fração desse respeito por causa da cor de sua pele ou o que elas escolhem para vestir, ou por causa do seu cabelo, ou por causa da quantidade de maquiagem que elas usam ou qualquer outro absurdo aos quais nós mulheres somos reduzidas.

É realmente desanimador para mim ver tantas mulheres bonitas que não têm ideia do seu potencial. Esta eleição tornou óbvio quantas mulheres não podem enxergar isso. Falhamos como nação. Nós somos o exemplo para o mundo, e nós falhamos com nossos companheiros humanos que estavam nos observando com esperança de que não permitiríamos que o ódio prevalecesse. Tive o privilégio de estar em uma banda que me permitiu viajar por todo o mundo. Eu não posso expressar a gratidão que tenho por esta experiência, porque abriu meus olhos para muitas coisas e me permitiu ver o mundo a partir de uma perspectiva tão simples, uma perspectiva que eu entendo que poucas pessoas têm a oportunidade de vivenciar. Se eu pudesse dizer a cada eleitor de Trump duas coisas, seria para viajar e ler um livro de história. Olhe além de si mesmo, olhe quão insignificante é a moral que você defende quando percebe que não somos os únicos. Perceba que sua pele branca é o resultado da imigração da Europa, que os únicos ‘americanos’ verdadeiros são os nativos, que são povos indígenas que habitavam esta terra antes desses conquistadores de outros países (Inglaterra, França, Itália, Espanha) os eliminarem quase por completo. Nenhum de nós pertencemos aqui, mas todos nós merecemos o direito de nos sentirmos seguros e viver nossas vidas em paz. Merecemos o direito de não termos que nos preocupar em morrer, ou sermos eletrocutados, ou espancados, ou estuprados, ou abusados psicologicamente porque nossa existência e/ou nossas escolhas perturbam alguém. Este é o mundo que Trump está promovendo. Esta é a separação que tem aumentado desde o início da campanha. Nós não somos mais a América indivisível, estamos unidos em dois lados divididos; amor e ódio. Nós não estamos ‘lamentando’ pela nossa candidata ter perdido, estamos gritando gritos de batalha contra aqueles cujas agendas políticas e pessoais ameaçam nossas vidas e sanidade. Estamos nos certificando de que você está nos ouvindo, não importa o quanto incomode, nós EXISTIMOS.

sábado, 19 de novembro de 2016

Ódio nunca compensa, seja contra quem for

Grande maioria dos brasileiros é avessa a intelectualidade. Odeia pensar, analisar, negociar. Para quem é avesso ao raciocínio, o caminho mais fácil é o de odiar quem pensa diferente, estejamos certos ou errados. E o país que era estigmatizado por ter um povo "gentil" está perdendo rapidamente esta marca e se tornando definitivamente o país do ódio.

Nem é preciso muito para percebermos claramente a onda de ódio: é só entrar em uma rede social e ler as postagens de uma comunidade que se percebe imediatamente uma mensagem depreciativa. E não raramente nem preciso fazer muito para gerar ódio alheio: basta não corresponder as expectativas dos odiosos, como por exemplo acontece com negros, gays e ateus.

Para piorar ainda mais a onda de ódio que contamina o país, a mídia, que deveria fazer o oposto, estimular o respeito mútuo, contribui para agravar ainda mais a sede de ódio nascente nas mentes inconformadas em um sistema competitivo de uma sociedade falida.

Recentemente, vários episódios de ódio tem acontecido em um curto espaço de tempo. A invasão de um grupo de fascistas na Câmara, o linchamento de estudantes ocupados, a tentativa de linchamento do jornalista Caco Barcellos, agora vem a exposição repetitiva de imagens de Anthony Garotinho no hospital e de Sérgio Cabral Filho em um mugshot.

Independente de quem seja, se mereça ou não ser criticado, há nestes episódios um estímulo a mais ódio. Ao invés de usarmos a inteligência em críticas e negociações, na tentativa de fazer com que os alvos de nosso ódio mudem de comportamento, preferimos partir para a agressão, pois é o que resta em nosso instinto animalesco, graças a nossa recusa insana em raciocinar. Detalhe: todos nós nos achamos inteligentes e partimos para a agressão quando alguém nos lembra de nossa ignorância.

Estamos voltando ao tempo das barbáries. Estamos regredindo como pessoas, do contrário que certas religiões metidas a progressistas sugerem. O século XXI, que deveria ser um século de evolução está nos devolvendo a tempos mais primitivos.

Temos um governo sádico que retoma a ganância destruidora do neoliberalismo. E um povo moralista metido a correto que pensa que sabe melhor que os outros (a ponto de ressuscitar a histeria infantil do anti-comunismo, tão ridícula quanto a do medo do Bicho Papão).

Certamente teremos uma guerra civil não-aramada, que poderá se tornar armada caso as leis de compra de armas se afrouxem como querem os mais conservadores. Aí teremos um gigantesco genocídio onde pessoas irão se matar pelos motivos mais banais. Não precisamos de um Hitler para gerar horrores. A odiosa população brasileira se encarregará de fazer por conta própria o que o fuhrer fez na Alemanha do início do século XX.

A burrice gera ódios cada vez mais sanguinários.